sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

[0493] Irmandade dos Homens Pretos de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Ribeira Grande de Santiago

Nuno Rebocho
O blogue CIDADE VELHA 1462 tem a honra de oferecer em primeira mão aos seus leitores da Ribeira Grande de Santiago e a todos os interessados no tema este magnífico texto de Nuno Rebocho que versa assunto de notório interesse para a compreensão das antigas dinâmicas religiosas e sociais da primeira capital de Cabo Verde. O artigo está também publicado no blogue PRAIA DE BOTE.

Em contrário do mencionado em livros e documentos diversos (vg. “A importância histórica de Cidade Velha”, Daniel A. Pereira, Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 2004 e “Cidade Velha – Sítio Histórico, Séc. XV”, PROIMTUR), a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos não pode ter sido mandada construir pela Irmandade dos Homens Pretos de Ribeira Grande, a ter-se em conta a vetustez do monumento (1).

Igreja de Nossa Senhora do Rosário
O templo foi erguido em 1493, segundo alguns autores - ou em 1495, segundo outros -, sendo a igreja mais antiga hoje existente em Cabo Verde e a sul do trópico de Câncer, feita em pedra especialmente vinda de Portugal, ostentando uma capela com teto manuelino, ogival (o único no continente africano) e possuindo restos da original azulejaria de fabrico português. Não se trata da igreja mais antiga construída em África: a mais antiga foi a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, que inicialmente se chamou do Espírito Santo, que terá sido erguida em 1466 ou 1470, mas dela não existem hoje quaisquer vestígios – foi construída em pedra solta e barro, portanto menos rica e sólida, com baixela e alfaias de ouro e outras riquezas paramentais e religiosas (que foram pilhadas e algumas transferidas para a cidade da Praia), recebendo inicialmente algumas das pedras tumulares de famílias nobres e possidentes de Ribeira Grande de Santiago (portanto de origem reinol) observáveis na Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Ao que se sabe, a nobreza reinol e algumas famílias “pardas” (crioulas) disputavam nestas igrejas, e mais tarde na Sé, o lugar de sepultamento.

Ora, a Irmandade dos Homens Pretos é decididamente posterior à fundação destas igrejas: inicialmente associação (instrumento) de defesa e solidariedade dos escravos africanos que começaram a chegar à ilha de Santiago depois de 1462 (data do início do seu povoamento), a Irmandade reflete a ação da Igreja Católica sobre eles, embora sirva também e muito para preservar tradições religiosas camufladas dos escravizados vindos de diferentes partes de África, sobretudo dos “rios da Guiné”. Nestas condições, a Irmandade dos Homens Pretos seria originariamente demasiado pobre para poder mandar alçar este templo em pedra, por conseguinte muito oneroso.

Demais, o facto da Igreja de Nossa Senhora do Rosário ser lugar de sepultamento disputado pelas famílias nobres, pelo menos até ao séc. XVII (data das pedras tumulares mais recentes na cidade encontradas), desde logo afasta a possibilidade de ser simultaneamente um lugar pertencente a uma Irmandade de Homens Pretos, escravos na grande maioria – os reinóis não eram obviamente dados a tamanhos “democratismos”. 

Por outro lado, a primeira carga de escravos, cuja referência é feita por Gomes Eannes de Azurara, in “Chrónica dos Feitos da Guiné” (capítulo VII), foi em 1442, sendo embarcados para Lagos - data que medeia apenas 50 anos antes da construção da Igreja, tempo então demasiado curto para conceber que já houvesse este tipo de Irmandade. E desde cedo apareceram os “fujões” (escravos escapulidos do cativeiro e internados na ilha que, apesar de ser geograficamente uma “prisão”, dispunha de bons lugares de refúgio). Mas esta é também uma forma de povoamento objetivo, o dos “badios” (palavra crioula que designa “evadidos” e designa os naturais da ilha de Santiago). A “fuga” é a primeira manifestação de resistência (negação) à escravatura, na busca de uma liberdade ansiada.

Cidade Velha - Vista da "baixa"
Para a neutralizar, formaram-se grupos de “caça aos fujões” (de que há memórias documentais), alguns deles integrando escravos que também participavam nesta atividade extremamente lucrativa a qual terá dado origem a uma camada de “aristocracia escrava” (chamemos-lhe assim) de onde emergiu mais tarde a Irmandade dos Homens Pretos (já da confiança dos reinóis possidentes e por estes beneficiados). Há notícia de que os “fujões” se agruparam em alguns quilombos (lugares fortificados) onde resistiram de armas na mão aos seus perseguidores. Tal processo curiosamente também se afirmou, em anos posteriores, no Brasil, onde se formaram muitos e tendo duração variável.

Mais operacional terá sido outro processo de neutralizar as fugas – a construção de muralhas rodeando a cidade e que ainda são hoje visíveis em cutelos de Cidade Velha.

O aparecimento da Irmandade

Terá sido desta massa de caçadores de “fujões” que saiu parte substancial da Irmandade, que – por via dela – obteve uma capacidade associativa alentadora, quer em forma de defesa, de solidariedade e de apoio. Juntaram-se-lhe forros que foram aparecendo, a par de escravos senhores de escravos que se internavam, como “lançados”, na região dos Rios da Guiné e que, ocupados no tráfico de escravos, resistiram melhor às condições do meio. Estes escravos foram granjeando algum capital próprio e para as suas iniciativas – há deles copiosas notícias. E juntou-se uma massa de descendentes de escravos, semilivres, que mesmo sendo a “camada superior da plebe”, se situavam numa área inferior da sociedade. 

Em fins do séc. XVII, inícios do séc. XVIII e até à extinção da Irmandade com o episódico desaparecimento da Ribeira Grande (o que acontece pouco depois da ascensão da Praia a capital do País – em 1770), a Irmandade é já constituída tão só por homens livres (“pardos”) e assume plenamente a dignidade de ter igreja sua. De resto, a existência de clero negro era um facto visível em Ribeira Grande, fruto da crioulização começada a tecer pelo terceiro bispo da diocese criada em 1533 (31 de janeiro), D. Francisco da Cruz, e que merece especial referência do Padre António Vieira, em 1652, aquando da sua passagem por Ribeira Grande, a caminho do Brasil: “Há aqui padres tão negros como azeviche. Mas só neste particular são diferentes dos de Portugal, porque tão doutos, tão morigerados, tão bons músicos que fazem inveja aos melhores das melhores Catedrais de Portugal"

Pe. António Vieira - Retrato de autoria desconhecida
Em 1612 há notícia de que havia em Ribeira Grande sete confrarias/irmandades (2): a do Santíssimo Jácome, a do Bem-Aventurado S. Jacinto, a da Cruz, a das Almas do Purgatório, a da Santíssima Trindade, a do Nome de Jesus e a de Nossa Senhora do Rosário (que depois ganhou o nome de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos), de que era mordomo Diogo Sousa, e a que se veio a juntar a do Santo Sacramento e outras. Deve portanto concluir-se que a Irmandade, nascida na igreja de Nossa Senhora do Rosário e a partir de escravos e seus descendentes, só depois teve o nome de “Homens Pretos”. E que, apenas depois dessa data, é que ela se apossou da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Assim, terá sido progressivamente que esta Irmandade se afirmou: insuflada pelos frades dominicanos, veio aos poucos ganhando espaço, começando por ser uma congregação menor e desqualificada. À medida que os “pardos” e os “homens da terra” foram ganhando posição, até por força da progressiva desintegração da sociedade reinol, a Irmandade reforçou-se até que, com o apoio de um bispo de extração dominicana, fez-se a principal confraria de Ribeira Grande, sediada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que aliás os Homens Pretos terão ajudado a construir (resta saber em que moldes o fizeram – que se saiba, não existe documentação).

Quando o esclavagismo é abolido – em Inglaterra tal foi imposto por lei em 1807 e em todo o império português por lei de 1836, embora no continente português o tenha sido por lei do Marquês de Pombal em fevereiro de 1761 – já a Irmandade tinha enorme importância em Ribeira Grande, burgo já reduzido a muito pouco e pobre devido à perda do domínio das rotas comerciais e marítimas, dando-se o seu afundamento na memória dos tempos - outrora imponente, concentrava num reduzido espaço um total de 24 igrejas (entre elas a igreja de S. Roque, a da Conceição, a de S. Pedro, a da Misericórdia, a Sé, a de Nossa Senhora do Rosário, a capela de Monte Alverne, a capela de Santa Luzia) e capelas, muito clero, enfim quase uma “Braga de Cabo Verde”. Na sede do bispado havia o cabido com o bispo, um deão, um pregador, um tesoureiro, um arcediago, um chantre, um mestre-escola, um provedor, um vigário-geral e 12 cónegos. A esta estrutura eclesiástica havia que somar as Ordens, a Mesa da Consciência, os párocos das diferentes paróquias, o convento, o hospital, as Irmandades, os funcionários administrativos ao serviço da igreja; percebe-se a enorme dimensão da estrutura clerical e a importância que ela assumiu na sociedade de Ribeira Grande de Santiago.

Uma emanação dominicana
Imagem da Sé

A Irmandade dos Homens Pretos, heterogénea na sua composição, terá assim aparecido talvez em fins do séc. XVI, animada por padres dominicanos radicados em Ribeira Grande de Santiago, que tiveram um papel importante na capitania e no povoamento. Digamos que a Irmandade surge com complemento da ladinização dos escravos – é uma etapa superior da escravatura, mas integra apenas os escravos que mereceram a confiança dos proprietários. Não existem documentos que permitam balizar o seu surgimento. E quando a Ribeira Grande recebe – em 1610 - o seu sétimo bispo, Frei Sebastião de Ascenção, ordenado dominicano, a Irmandade teve enorme impulso, aproveitando-se da particular estima que o prelado tinha pela igreja de Nossa Senhora do Rosário – onde este bispo foi sepultado – como tinha pela Confraria dos Homens Pretos, nascida sob influência dominicana, enorme apoio. Deste modo, a Irmandade tornou-se então a principal congregação de “irmãos”, correspondendo à circunstância de Nossa Senhora do Rosário se ter então tornado na principal igreja de Ribeira Grande. 

A Ordem mendicante dominicana, essencialmente urbana, foi fundada por Domingos de Gusmão (um cónego castelhano nascido em 1170 e falecido em Bolonha em 1221), depois da experiência obtida no combate aos cátaros e a sua falhada conversão: referida como Ordem dos Pregadores, surgiu no sul de França, apresentando-se de início como um ramo da Regra de Santo Agostinho (devido às limitações impostas pelo Concílio de Latrão, que proibia a criação de novas Ordens) e adotando então o voto de pobreza. Em 1221, com a aprovação das suas regras de funcionamento no primeiro Capítulo Geral da Ordem, ganhou um certo cariz democratizante no qual todos os cargos, do mais alto (mestre geral) ao mais pequeno, sempre exigia a respetiva eleição, dando-lhe um caráter não elitista, muito voltada para a burguesia emergente, os pequenos artífices e operários. No anto, por bula do Papa Gregório IX (1233), a Regra Dominicana identificou-se com o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição), tornando-se maligna arma de combate às correntes que eram tidas como hereges. Devota de Nossa Senhora do Rosário, foi muito influente em Cabo Verde e, de modo geral, nas colónias ultramarinas de Portugal e Espanha.

São Domingos, por Fra Angelico
Em Ribeira Grande de Santiago verifica-se a partir dos fins do séc. XII um processo de decomposição e decadência da sociedade reinol, devido a diversos fatores que a levam a perder o predomínio no tráfico negreiro. Os senhores aceitam começar a misturar-se, sob rígidas condições, com a plebe que povoava as tabernas, a doca, os bordéis – é um facto que evidencia já a queda dos senhores, acossados pelos corsários e portanto dispostos a cedências perante o “inimigo interno”. Tal facto marca a época filipina (são deste tempo as últimas pedras tumulares de que há memória). É nessa altura, socorrendo-se da crise económica avassaladora, que a Irmandade se lança à ocupação de um templo que lhe é historicamente anterior. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário passa a ser dos Homens Pretos.

Não se sabe a data exata do nascimento da Irmandade dos Homens Pretos de Ribeira Grande de Santiago. Todavia, nunca poderá ser antes do séc. XVI – não existem documentos sobre ela - os escravos e seus descendentes eram analfabetos (3). Pode intuir-se que deve ter surgido, por influência dominicana, durante os anos quinhentos (na melhor das hipóteses), procedendo de pouco a Irmandade do mesmo nome criada em Lisboa com as mesmas razões que lhe deram origem e antecedendo iguais Irmandades criadas no Brasil, em São Paulo e Bahia, nos sécs. XVII e XVIII – é de admitir que a experiência cabo-verdiana tenha de algum modo servido, transmitida por algum escravo para lá levado, para impulsionar igual movimento brasileiro.

Artesanato da Cidade Velha
Estas Irmandades de Homens Negros foram formas de resistência negra aos terra-tenentes como o foram as revoltas e a fuga de escravos, havendo notícia da formação de (tal como no Brasil) dois ou três quilombos no interior do Município. Mas a igreja de Ribeira Grande era profundamente escravocrata: não só padres eram donos de escravos como as suas receitas provinham essencialmente (direta ou indiretamente) do tráfico particularmente dos rios da Guiné. Pelo menos, a igreja recusava-se a dar apoio às expressões anti-esclavagistas que começavam a aparecer, com algumas poucas exceções – por exemplo as do padre jesuíta Fernão Guerreiro, que se indignou e combateu alguns “excessos” transparecidos num seu significativo documento “entre os muitos abusos que havia nesta terra, um grande se tinha no batismo dos pretos que vêm da Guiné. Que como são muitos, se batizavam logo trezentos, quatrocentos e setecentos juntos; e como destes os mais são os que vão daqui para Índias, Brasil, Sevilha e outras partes, acontece que muitas vezes que pela pressa da embarcação que seus senhores lhes dão por não perderem a ocasião do tempo, o não deixam ter aos pobres para serem catequizados e instruídos na fé como convém…” (4); e o bispo D. Vitoriano Portuense que ousou intervir no tráfico negreiro com excomunhões, denunciando a superlotação de navios e as condições de embarque, como ausência de batismo e de catequização dos escravos. São vozes isoladas que, mesmo assim, desencadearam protestos dos possidentes, do Reino e da própria igreja – foi acusado de provocar graves prejuízos e de “excessos”. Estas vozes timidamente progressistas surgiam a destempo para ter algum efeito.

Imagem da Sé, mandada construir no séc. XVII pelo terceiro bispo de Santiago, D. Francisco da Cruz


Os “irmãos” da Irmandade eram, como o nome indica, pretos libertos que, tornados cidadãos, encontravam na associação modo de ganhar algum relevo na sociedade. Tinham uma mesa da Irmandade, com os seus secretários, liderado por um mordomo que era eleito entre os mesários. No Brasil estes “irmãos” recebiam o nome de “malungos” 5.

Século e meio de Bispado de Santiago (Ribeira Grande)

Diocese desde 1533 (31 de Janeiro), por ela passaram os mais diversos bispos, estando nos intervalos o bispado estado em regime de vacatura gerido correntemente pelo cabido – devido a falecimento do bispo, demoras em Lisboa e outras razões. Todo bispado era por isso afetado, dado que cabia ao pontífice, e só a ele, nomear prelados. Enquanto o bispado esteve sediado em Ribeira Grande houve os seguintes bispos:

- Dr. Brás Neto – tomou posse em 1533
- D. João Parvi – de 1533 a 1596
- D. Francisco da Cruz – até 19 de Março de 1574 (falecimento)
- D. Bartolomeu Leitão – de 1576 a 1580
- Frei Pedro Brandão – de 1588 a 1606 – longo litígio com a coroa e os nobres de Ribeira Grande; comandou a resistência aos corsários
- D. Luís Pereira de Miranda – tomou posse em Lisboa em 1607, mas só chegou à diocese em 1608, tendo falecido um mês depois.
- Frei Manuel Afonso da Guerra
- Frei Sebastião de Ascensão – faleceu a 16 de Março de 1614
- D. Lourenço Garra – 1646, faleceu a 1 de Novembro desse ano. 
- D. Francisco de Santo Agostinho – fugiu para o interior da ilha aquando do ataque de Jacques Cassard a Ribeira Grande de Santiago e de lá conduziu o contra-ataque contra os franceses.
- D. Frei Vitorino Portuense

Síntese
A Irmandade dos Homens Pretos, associação religiosa de solidariedade, terá aparecido por influência dominicana no séc. XVI (está por saber como se verificou tal influência). Com a decadência da sociedade reinol, ganhou progressiva importância até à sua sediação na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, tornando-se no séc. XVII, por força do bispado de D. Frei Sebastião da Ascensão (também ele dominicano) na mais influente Irmandade existente em Ribeira Grande.

Notas

1. Sabe-se que alguns “Homens Pretos” (provavelmente escravos ou “pardos”, crioulos) ajudaram na sua construção, mas desconhece-se em que moldes. Mas daí a concluir-se que a Irmandade a tenha mandado erguer vai um passo demasiado largo e impossível de ser dado sem a mínima prova não contestável.

2. Vinte e quatro igrejas, sete irmandades, grande peso do clero na população, uma sé, uma escola jesuíta (que ambicionava ser seminário – foi ponderado em tempo de D. Sebastião, mas nunca passou do papel): Ribeira Grande teve tudo para ser a “Braga de Cabo Verde”. No entanto, tal como a cidade sofreu enorme decadência que levou ao seu desaparecimento em consequência da crise económica e social que sobre ela se abateu, os seus templos foram caindo em ruínas: no séc. XVIII não havia mais que memória da antiga grandeza da “cidade do mais antigo nome”.

3. A existir qualquer documento referente à Irmandade e à Igreja de Nossa Senhora do Rosário só, em princípio, se achará no acervo dominicano ou excecionalmente em qualquer documento avulso. Sendo certo que a Igreja Católica teve papel importantíssimo na colonização, não é conhecido que ela tenha em Cabo Verde apetências historiógrafas, se bem que só tenha que se vangloriar do seu passado.

4. In “Relação anual das coisas que fizeram os padres da Companhia de Jesus nas missões, noa anos de 1600 a 1609 e do processo de conversão e cristandade daquelas partes”.

5. Os idiomas bantu – segundo Prof. Kabengele Munanga, festejado antropólogo nascido no Congo e docente na Universidade de São Paulo - variam os seus substantivos por prefixação e seus principais plurais são ba – por exemplo – ma – de mashona, plural de shona, ou mashope, plural de mashope– e wa. Lungo, em grande parte destes idiomas, dentre os quais o quimbundo, mais ou menos predominante entre os angolanos escravizados que chegaram ao Brasil, significa amigo, mas com sentido mais amplo que o que tem em português; malungo, por esta linha, seria amigos, companheiros, aqueles que, de algum modo, partilham algum momento significante de vida: a senzala, o transporte no mesmo navio, etc., etc. Em shangana, língua de Moçambique, existe mulungo (termo que designa o homem branco, o que de certa forma reflete uma atitude de apropriação, num sentido igualitário, de qualidades invejadas no ex-dominador). Nota enviada pelo estudioso brasileiro Ademir Barros dos Santos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

[0492] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - 3.ª jornada dos Jogos Intermunicipais de Futsal

Realiza-se amanhã, dia 17, sábado, às 15 horas, na placa desportiva de Calabaceira da Cidade Velha (recentemente inaugurada) a 3.ª jornada dos Jogos Intermunicipais de Futsal, inseridos das festividades em honra de Nhu Santu Nomi di Jesus, com os jogos entre as equipas de Salineiro e Santana e de S. Martinho Grande e João Varela.

Entretanto, nos jogos ontem realizados Porto Mosquito venceu Salineiro por 5-2 e Bota Rama venceu João Varela por 5-3. Estes jogos vão terminar em João Varela no dia 30 com a inauguração da respectiva placa desportiva no cumprimento do programa “uma localidade, uma placa” que já beneficia Calabaceira (recém-inaugurada), Salineiro, Porto Mosquito e S. Martinho Grande, sendo em breve reabilitadas as placas de Chã Gonçalves e de Santana.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

[0491] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Jogos Intermunicipais de Futsal

Com os jogos Porto Mosquito-Salineiro e Boa Rama-João Varela decorre amanhã, quarta-feira. dia 15, às 16 horas, na placa desportiva de Salineiro o torneio intermunicipal de futsal ontem iniciado com os embates entre Calabaceira e Porto Mosquito (2-7) e Cidade Velha e Salineiro (2-1).

Este torneio termina no dia 30 em João Varela onde então será inaugurada a sua placa desportiva que irá dotar a Ribeira Grande de Santiago com mais um avanço do programa “uma localidade – uma placa desportiva”.

Recorde-se que atualmente dispõem de placas desportivas ativas as localidades de Calabaceira (recém-inaugurada), Salineiro, Porto Mosquito e S. Martinho Grande, sendo em breve reabilitadas as placas de Chã Gonçalves e de Santana.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

[0490] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Torneio municipal de futsal no Salineiro

Encetando as actividades desportivas que balizam os tradicionais festejos de Nhu Santu Nomi di Jesus (que este ano ganham nova dimensão) decorre no dia 13, segunda-feira, às 15h00, em Salineiro, o início do torneio municipal de futsal - que vai percorrer as diferentes localidades de Ribeira Grande de Santiago que já dispõem de placa desportiva. 

Este torneio culmina no dia 30 em João Varela, onde nessa data será inaugurado o respectivo espaço, dando assim prosseguimento ao programa em curso “uma localidade, uma placa desportiva”, o qual dotará os habitantes do Município de apropriados locais de lazer e de salutar prática desportiva, proporcionando-lhes o acesso a essa actividade.

[0489] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Apresentação da Rede das Cidades Mundo

Para apresentação dos projectos da plataforma virtual dos países da CPLP e da Rede das Cidades Mundo (iniciativa da ONG Sphaera Mundi a que Cidade Velha aderiu, igualmente como Ilha de Moçambique e ilha do Maio em Cabo Verde, tendo a anuência de localidades da Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Timor, Angola e Brasil), decorre no próximo dia 13, segunda-feira, às 15h00, na sede da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago uma conferência de imprensa com a presidente daquele organismo, Dr.ª Luísa Janeirinho.

Existindo um protocolo de colaboração em vigor entre a referida ONG e a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, este projecto tem o apoio institucional da CPLP e foi formalmente apresentado no Instituto Camões, em Portugal, e no Instituto Marquês de Vale Flor. São nele parceiros a UNESCO, a Universidade Jean Piaget, a ASPPEC (Associação para a Promoção do Património Educacional), a Magensinus e a Born África.

Recorde-se que a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago foi o primeiro município a integrar este projecto, dando assim Cidade Velha "o pontapé de saída da Rede das Cidades Mundo, cidades de encontro de culturas". 

Este arranque do histórico, turístico e culturalmente importante projecto insere-se nas celebrações dos tradicionais festejos de Nhu Santu Nomi di Jesus 2014, cujo programa se inicia no dia 13 e culmina a 31 de Janeiro, Dia do Município.

[0488] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - III Edição do Concurso Pintar Cidade Velha

Contribuindo para dar às crianças amor a Cidade Velha, Património Mundial, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago organiza no próximo dia 13, segunda-feira, às 15h00, no Convento de S. Francisco, a III Edição do Concurso Pintar Cidade Velha, que se insere nas tradicionais festividades de Nhu Santu Nomi di Jesus.

Participam neste evento 60 crianças alunas do Ensino Básico (25 de Cidade Velha e 35 da Escola Abela, da cidade da Praia), todas frequentando o 5.º ano. Serão atribuídos prémios aos seleccionados para os 3 (três) primeiros lugares, conferidos pela Curadoria de Cidade Velha, que – uma vez mais – colabora com a Câmara Municipal numa muito positiva e exemplar parceria. Os prémios constam de material didáctico, ao encontro de concepções sugeridas pelo gestor António Carlos.

Abrindo as Festas de Nhu Santu Nomi di Jesus 2014, as crianças são deste modo contempladas em especial, pois são elas a geração do futuro que herdará, a seu tempo, as obrigações de defender e promover os riquíssimos espaços de um histórico património de toda a Humanidade.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[0487] Dois séculos de história de corsários na Ribeira Grande de Santiago, Cidade Velha

Nuno Rebocho
Nuno Rebocho ofereceu ao CIDADE VELHA 1462 este seu texto inédito e muito recente, início de mais longo trabalho sobre a pirataria em Cabo Verde, nomeadamente na Cidade Velha, Ribeira Grande de Santiago, na ilha deste nome. O texto está também publicado no blogue PRAIA DE BOTE.

Na história da Cidade Velha, antiga Ribeira Grande (cidade da ilha de Santiago, Cabo Verde), registam-se pelo menos 18 ataques de corsários (ou piratas) de diferentes nacionalidades: franceses, ingleses, holandeses, turcos, mas também castelhanos (espanhóis) e portugueses.

O abrir destas “hostilidades”, justificadas pela importante riqueza acumulada na cidade de Santiago nos séculos XVI e XVII, coube aos castelhanos, que intentavam pressionar a coroa de Lisboa a entregar-lhes o arquipélago das Canárias: em 1475, atacaram a Ribeira Grande, aprisionando o seu primeiro capitão-donatário, António da Noli, levado para a Andaluzia.

Francis Drake
Os próprios portugueses não se coibiram de participar na sequência de pilhagens, a pretexto de um duvidoso irredentismo: em Janeiro de 1583, forças supostamente fiéis a D. António, Prior do Crato (que se reclamava herdeiro da coroa de Portugal e, como tal, a disputava a Filipe II de Castela), desembarcaram na ilha de Santiago e pilharam a Ribeira Grande – logo depois da ilha de Fogo, que ocuparam durante algum tempo. Do saque nada, ou quase nada, resultou em benefício do pretendente da coroa – os homens, comandados por Emanuel Serradas, apoderaram-se de quanto podiam.

É no período entre 1560 e 1585, no espaço de 25 anos, que se situam os mais insistentes ataques à cidade de Santiago – 7 ataques, perpetrados principalmente por franceses e ingleses, que sobretudo afrontavam o império hispânico, as também houve de turcos e holandeses. É nesse quadro que surgem as acções de Drake (El Draque, lhe chamavam os castelhanos). Em parte em consequência das sucessivas incursões corsárias – que portugueses e espanhóis chamavam de “piratas”, embora também por seu turno as cometessem contra os domínios das coroas francesa e britânica – a riqueza e importância da Ribeira Grande foram minguando. E por completo desaparecem em 1712, quando a velha cidade foi incendiada e arrasada por Cassard. Depois dessa data, a Ribeira Grande deixou de ter qualquer interesse para os corsários, pelo que praticamente deixou de ser um alvo.

Jacques Cassard
O que atraiu os corsários a Santiago foi o tráfico negreiro – a Ribeira Grande ficou ligada por esta via aos começos do negócio de escravos em Inglaterra, facto que em geral é silenciado pela púdica historiografia britânica, que procura minimizar o envolvimento inglês no tráfico de escravos. Para os corsários britânicos, o rapto de escravos era tão valioso como o saque do ouro que os atraiu aos mares das Índias Ocidentais. 

Os corsários, que recebiam dos seus soberanos a “carta” que os legitimava para o ataque e pilhagem de embarcações com bandeira de nações inimigas bem como para a devastação dos seus territórios, tinham espaço de manobra no próprio arquipélago de Cabo Verde, onde algumas ilhas estavam então quase desabitadas e desarmadas. Sobretudo nas ilhas do Maio e de S. Vicente encontravam eles “porto seguro”, onde fundear e fazer aguada e de onde partiam em “raides” sobre as restantes ilhas. Particularmente, no Maio, onde achavam o indispensável sal para a conserva de carnes e para a curtimenta, sobretudo os ingleses tiveram uma base corsária que fez desta ilha a “Tortuga” da costa africana. Ali ancoraram Drake, Lovell, Hawkins, Shirley, entre outros.

Também consequência da acção corsária, jazem nos fundos marítimos centenas de naus, fragatas, corvetas, patachos e urcas, metidos a pique pelos flibusteiros, muitas vezes levando no bojo os escravos acorrentados que neles eram transportados.

A importância da ilha do Maio e a defensão de Ribeira Grande  

Anthony Sherley
Estrategicamente, a ilha de Maio servia de base para a ação corsária. Chegaram a contar-se aí (há documentos históricos ilustrativos) 56 velas! Buscavam aguada em Maio, que dispunha de sal abundante (chegou a pensar-se em entulhar as suas salinas para dificultar o corso), madeirame e carne de reses deixada ao abandono – é essa a origem de uma iguaria gastronómica local típica, a txacina. 

A falta de proteção militar (o seu forte surgiu muito mais tarde) e a pouca população beneficiaram o corso, dando origem ao nome da sua principal localidade: Porto Inglês. A grande proximidade de Santiago em muito contribuía para fazer de Maio a retaguarda dos corsários (que S. Vicente e Sal também foram, mas em muito menor escala).

Foi no reinado de Filipe II de Espanha que se realizaram obras de defensão de Ribeira Grande: devido a estudos de Diego Flores de Valdez, importante arquiteto militar gaditano, avançou-se para a construção da imponente Fortaleza Real de S. Felipe, rodeada de um conjunto de fortins e baluartes, enquanto se implantavam facheiros (Monte Facho) para estabelecer um sistema de avisos luminosos (fogueiras) entre Maio-Praia-Cidade Velha-Fogo, sempre que necessário. Ao mesmo tempo, reorganizou-se por um sistema de milícias toda a defesa da ilha de Santiago – este complexo defensivo decaiu nos últimos 30 anos de poder filipino, em particular no reinado de Filipe IV de Espanha.

Jean Fleury
As defesas terrestres levaram que os corsários, agora ao alcance das colombinas e dos berços (peças de artilharia para o tempo muito avançadas e que obrigaram à utilização de bombardeiros italianos, considerados especialistas nesta artilharia), passassem da pilhagem de barcos feita nos portos para os ataques terrestres a fim de silenciar a Fortaleza. Os desembarques eram especialmente efetuados na Praia e em S. Martinho Grande (Cadjetona), percorrendo as hostes a pé a distância que mediava para Ribeira Grande. Mudou, portanto, a natureza das operações militares.

Ataques corsários a Cabo Verde

Quando, em 1580, houve a união da coroa ibérica numa só cabeça (a de Filipe II de Espanha), os ataques corsários a Cabo Verde ganharam novo fôlego, já que a unificação ibérica legitimava os seus ataques, tanto mais que invocavam não se subordinarem ao Papado de Roma para, desse modo, porem em causa o Tratado de Tordesilhas - que então repartia o mundo “descoberto” por Portugal e Espanha, agora unificados. Se até então esses ataques eram esporádicos, a partir dessa data tornaram-se sistemáticos, obrigando o Reinado a profundas reformas militares e levando à decadência e destruição da que foi uma riquíssima metrópole, a Ribeira Grande de Santiago.

A ação dos corsários teve particular incidência nas águas de Cabo Verde nos sécs. XVI e XVII – muito mais do que se verificou nas Caraíbas (Tortuga) –, pois pelo arquipélago cabo-verdiano passava então o grande comércio que rumava tanto para as Américas, como para a Índia, a África e a Europa. Os barcos desse comércio transatlântico atraíam a cobiça e a guerra de corso: Cabo Verde era, por essa época, uma encruzilhada a ter bem presente.

Criou-se - despropositadamente - a fama das Caraíbas por influência do imaginário hollywoodesco, com a utilização de diversos recursos, como seja o cinema, a novela e a BD. Deste modo, aquilo que era historicamente falso, tornou-se uma “realidade” – exemplo de que uma mentira insistentemente repetida se converte em verdade (Karl Marx).

Um dos primeiros ataques, conduzido por Serradas, que até foi desencadeado pelos portugueses, partidários do Prior do Crato, que disputavam o trono de Portugal aos Filipes – em 1582. Houve uma aliança entre as pretensões do Prior do Crato (com base na Ilha Terceira, Açores) com os ingleses, inimigos dos Filipes, que - por intermédio de Francis Drake - atacaram as ilhas de Santiago e do Fogo. No entanto, Drake foi atraído para os mares de Cabo Verde por seu primo (um dos fundadores da frota que derrotou a espanhola “Invencível Armada”), Sir Charles Howard.

Foi a ação de corso, verdadeiro bloqueio dos principais portos insulares, que determinou grandes obras de defesa do arquipélago e levou (em grande medida) à sua decadência, a par da deterioração do comércio nas costas da Mina e da Malagueta e nos Rios da Guiné – desencadeada muito por conveniência dos “levantados” e dos chamados cristãos-novos. Ingleses, franceses, portugueses, holandeses, dinamarqueses e até turcos participaram muito ativamente nesta guerra de corso.

Cronologia dos ataques à Ribeira Grande

1475 – Ataque de uma frota castelhana (25 navios), comandada por Carlos Valera. A coroa de Castela tenta apoderar-se da ilha de Santiago. António da Noli é aprisionado e levado para a Andaluzia. O incidente acaba com a permuta entre as coroas de Portugal e de Castela dos arquipélagos de Cabo Verde e das Canárias.
1524 – Primeira acção conhecida de corsários franceses (Jean Florin, 1) em águas de Cabo Verde.
1542 – Corsários franceses atacam e pilham a cidade da Ribeira Grande.
1544 – Novo ataque de corsários franceses à cidade da Ribeira Grande.
1560 – Primeira acção conhecida de corsários ingleses (John Lovell, 2): Ribeira Grande assaltada e saqueada. No mesmo ano, outro corsário inglês, George Fenner, afronta a cidade de Santiago.
1562 – Outro corsário britânico, John Hawkins (3), ataca ao largo da Ribeira Grande.
1565 – Reaparece John Hawkins nas águas de Santiago.
1566 – John Lovell regressa aos mares do arquipélago.
1567 – Primeiro ataque de Francis Drake (4) em Cabo Verde.
1578 – Acções corsárias de Francis Drake, comandando então cinco navios, no início da sua viagem de circum-navegação à volta do Mundo.
1583 – Em Janeiro desse ano, partidários de D. António, o Prior do Crato, comandados por Emanuel Serradas (5), tomam e saqueiam a Ribeira Grande de Santiago.
1585 – Francis Drake, com uma força de cerca de 1000 homens, desembarca em S.Martinho, durante a noite percorre a distância que separa da Ribeira Grande, atacada na madrugada de 17 de Novembro. A população já abandonara a cidade e o saque não terá sido o que os corsários esperavam: por desforra, tudo rapinam, até os sinos das igrejas, e incendeiam Ribeira Grande.
1596 – Mais outro corsário britânico, Anthony Shirley (6), ataca a cidade de Santiago.
1598 – Primeira acção conhecida de corsários holandeses nas águas de Santiago, atacando e saqueando a Ribeira Grande.
1604 – Corsários franceses atacam de novo a Ribeira Grande.
1628 – Incursão de corsários holandeses na Ribeira Grande – são derrotados.
1673 – Corsários turcos atacam as imediações da Ribeira Grande e roubam gado.
1676 – Nova acção de corsários turcos.
1712 – A 5 de Maio, o corsário francês Jacques Cassard (7), comandando 12 navios, depois de desembarcar na Praia (na baía da Praia Negra) desfere violentíssimo ataque à Ribeira Grande que é totalmente arrasada, quase desaparecendo do mapa. Cassard ocupa uma boa parte da ilha, fugindo o bispo (D. Francisco de S. Agostinho) para o interior, Órgãos, de onde lidera a resistência e incentiva o contra-ataque. Temerosos, os corsários batem em retirada, levando tudo o que podem – até os sinos da sé e relíquias religiosas, mobiliário, tudo. O que não foi levado para bordo, foi incendiado, incluindo a riquíssima biblioteca do bispo.

Notas:

1 - Jean Fleury (ou Florin): corsário do porto de Dieppe, semeou o terror tanto nos mares das Caraíbas como de Cabo Verde: foi ele o primeiro marinheiro com carta de corso a atacar as armadas espanholas – em 1522 apoderou-se do tesouro de Guatimozin, que Cortés enviava do México para Espanha. Capturado pelos espanhóis, foi enforcado em 1527.

2 - John Lovell: armador e também corsário, foi proprietário de uma companhia cuja principal actividade se centrava no corso e suas pilhagens de navios e possessões espanholas. A sua acção estendeu-se de Cabo Verde à Venezuela, onde em 1567 atacou Margarita, em associação com um flibusteiro francês, Jean Bontemps. Em 1572, enquanto Bontemps era morto pelos espanhóis em Curaçao, Lovell atacava Rio de la Hacha.

3 - John Hawkins (ou Hawkyns): nascido em Plymoutth em 1532 de uma família muito próxima do trono britânico (o pai, William Hawkins, foi confidente de Henrique VIII e um dos seus principais comandantes da armada), foi primo segundo de Francis Drake. Construtor naval, mercador e navegador, Hawkins fez três viagens de corso – na primeira, em 1562/63, circulou pelas costas de África (da Serra Leoa a Cabo Verde) e pelas Caraíbas; na segunda, em 1564/65, voltou aos mares de Cabo Verde e devastou armadas espanholas nas Caraíbas e nas costas da Florida; na terceira, 1567/69, não há notícia de ter passado por Cabo Verde, centrando-se então pela América do Sul (principalmente em San Juan de Ulua). Nomeado Almirante pela Rainha Isabel I, foi ele o idealizador da táctica naval que destroçou a “Invencível Armada” espanhola em 1588. Foi Hawkins quem iniciou o tráfico de escravos negros em Inglaterra e também ele quem incentivou Drake a incursões nos mares africanos.

4 - Francis Drake: nascido em 1543 em Travistock, destacou-se na luta da coroa britânica contra a Espanha filipina, sobretudo nas campanhas de corso, e foi o mais célebre corsário inglês. Nomeado cavaleiro por Isabel I de Inglaterra, foi seu vice-almirante: navegador experiente, conduziu a segunda viagem de circum-navegação do Mundo, começada em 1578, precisamente com um ataque a Ribeira Grande. Com seu primo John Hawkins, esteve associado no tráfico negreiro em que se iniciou em 1567, numa viagem corsária por Cabo Verde e Guiné. No regresso, nomeado Mayor de Plymouth, parte daí em 1585 para uma nova campanha de corso contra Espanha, durante a qual, depois de incursões nas costas galegas e nas Canárias, atacou e incendiou Ribeira Grande. As acções de Drake associam-se então às do pretendente D. António à coroa portuguesa. Em 1588, foi um dos estrategos da derrota da Invencível Armada espanhola que procurava derrotar os ingleses. Faleceu em Portobelo, Panamá, em 1596, vítima de disenteria – o seu corpo foi lançado ao mar.

5 - Emanuel Serradas: pouco se conhece da sua vida, além da sua participação nas campanhas ao lado do Prior do Crato – foi um dos poucos portugueses que não foi comprado pelo ouro de Espanha. Terá acompanhado D. António, quando este criou nos Açores (ilha Terceira) uma bolsa de resistência ao domínio filipino – foi daí que Serradas partiu para o ataque às ilhas de Santiago e Fogo. Cavaleiro Hospitalário, terá combatido em Alcácer Kibir. Ignora-se se acompanhou D. António de Portugal para o exílio em França, depois que este foi derrotado por um desembarque castelhano nos Açores, comandado por Álvaro Banzano (ocorrido enquanto Serradas se encontrava em Cabo Verde, o que de certo modo explica o fracasso desta campanha, que de resto se confrontara com a oposição dos senhores da Ribeira Grande, que tomaram partido pelo Rei Filipe).

6 - Anthony Shirley (ou  Sherley): nascido em 1565, foi filho segundo de um nobre britânico (Sir Thomas Shirley) que as circunstâncias de herança atiraram para uma vida aventureira e de viajante, levando-o a combater em diferentes expedições (Países Baixos, Normandia, Navarra, Mediterrâneo) em busca de fortuna. Em 1596, conduziu uma campanha de pilhagens na costa ocidental africana, passando então pela Ribeira Grande, dirigindo-se depois para a América Central – aí, foi surpreendido pelo motim dos seus marinheiros, vendo-se compelido a regressar a Londres apenas com um único dos seus navios. Em 1605, passou para o serviço da coroa de Espanha, tendo sido nomeado almirante – depois de algumas campanhas desastrosas, foi destituído. Morreu em Madrid em 1635.

7 - Jacques Cassard, nascido em Nantes em 1679, destacou-se no corso contra os britânicos no Mar da Mancha. Como comandante, teve grande sucesso nas suas acções, tendo chegado a acumular grande fortuna. Todavia, caiu em desgraça junto da coroa francesa, tendo passado os seus últimos 24 anos na prisão, onde morreu em 1740, em Ham, na região de Somme.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

[0486] Cumprimentos de Boas Festas

A fim de apresentar cumprimentos de Boas Festas e expressar votos de feliz Ano Novo, o Presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, dr. Manuel Monteiro de Pina, desloca-se na próxima quinta-feira, dia 2, a partir das 9h00, às residências dos Párocos de Cidade Velha e de Chã de Igreja (S. João Batista), ao Comando local da Polícia de Ordem Pública e à delegação do Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Regional, à Curadoria de Cidade Velha e às instalações hoteleiras existentes, num gesto de cortesia que se pretende continuado e revestido de ampla morabeza.

[0485] Conferência de Imprensa de apresentação das Festas de Nhu Santu Nomi di Jesus

Para apresentação das próximas e tradicionais Festas de Nhu Santu Nomi di Jesus e seu Festival, em Cidade Velha, que tradicionalmente decorrem a partir de 13 de Janeiro e em 2014 ganham novo conceito e dimensão em novo espaço actualmente em construção em Achada Forte, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago promoveu ontem, dia 30 de Dezembro, pelas 10h00, uma importante conferência de imprensa que se realizou na Associação Nacional de Municípios de Cabo Verde, na cidade da Praia.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

[0484] Programa das "Festas de Nho Santo Nomi" Janeiro.2014

13 (2.ª feira) – Dia da Liberdade e Democracia
15h00 - (1) III edição do Concurso Pintar Cidade Velha - Abertura oficial das Festas de Nho Santu Nomi di Jesus - Inauguração do espaço das Festas em Achada Forte- Inauguração da Rede Cidades Mundo
Nesta semana reunião com a Luísa Janeirinho

19 (domingo) - Feira do Livro 

20 (2.ª feira) – Dia dos Heróis Nacionais
17h00 - Lançamento da biografia de Padre Campos

23 (5.ª feira) e 24 (6.ª feira)  – Feira do artesanato
Largo do Pelourinho. Previsão de inauguração do Centro de Exposições de Artesanato (2)
9h00 - Feira agropecuária, Rua Calhau; 16h00 – Workshop “Do Património ao Bolso", Largo do Pelourinho

24 (6.ª feira) 
22h30, Achada Forte – Festival Nho Santu Nomi

25 (sábado) - ...

26 (domingo)
11h00, Igreja de Nossa Senhora do Rosário - missa solene; 16h00, Rua Calhau – Tenda Eletrónica

27 (2.ª feira) – corrida ao Berço (da Praia a Cidade Velha)
15h00 Lançamento da 1.ª pedra da placa desportiva de Santana; 15h30 – Inauguração da água domiciliária em Santana; 16h30 - Inauguração da água domiciliária em Tronco

28 (3.ª feira)
15h30 Reabilitação da Placa Desportiva de Chã Gonçalves - previsão de lançamento de livro “APELO EM PRÓ DAS RUÍNAS DA ANTIGA CIDADE DA RIBEIRA GRANDE EM SANTIAGO – CABO VERDE”, de Monsenhor A. J. d’Oliveira Bouças, com prefácio de João Lopes - Lançamento de site da CMRGS

29 (4.ª feira) – Workshop “Economia da Cultura”
15h00 - Inauguração da água domiciliária em Lém Dias e Sanharé; 15h40 - 1.ª pedra de Biblioteca Municipal Dr. Pedro Silva (S. Martinho do Porto); 16h10 - lançamento de 1.ª pedra para a requalificação das Ruas de São Martinho Grande

30 (5.ª feira)
Cidade Velha – 15h00 - Inauguração do edifício Anexo à CMRGS, seguida da atribuição do nome Pe. Campos ao Auditório; 15h30 - Inauguração do Centro de Protecção Civil em Cidade Velha; 16h15 – Inauguração da placa Desportiva de João Varela - previsão do Encontro da Rede de Apoio a Cidade Velha, PM (3)

31(6.ª feira)
10h30, Convento de São Francisco - Sessão solene (Dia do Município) – Geminações – Cidadãos Honorários/ Cidadãos de Mérito (possível de primeira distinção com irmãos da Confraria dos Homens Pretos) e apresentação da nova revista da Câmara; 13h00 – Almoço Oficial (local a confirmar); 15h30 – descerramento da lápide ao Padre António Vieira (4); 16h30 – Missa na Sé, com o bispo, dedicada a Padre Campos

(1) Instituído pelo Primeiro-Ministro fazer de Cidade Velha o centro deste dia
(2) Dado o atraso das obras só deve ser feita a apresentação do exterior
(3) Está-se neste momento à procura da melhor data
(4) Cerimónia presidida pelo Bispo da Praia, Dr. Victor Ramalho e Presidente da Câmara

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

[0483] Reabilitação de casas na Cidade Velha continua

Em exemplar parceria com a Curadoria de Cidade Velha e com a presença do Ministro da Cultura, dr. Mário Lúcio de Sousa,, procede-se amanhã, dia 22, sexta-feira, à entrega de casas reabilitadas (reabilitação de tectos e exteriores) no Sítio Histórico – ruas Calhau e Banana, a mais antiga rua de Cabo Verde. Este trabalho conjunto demonstra o bom relacionamento e estreita colaboração entre as duas entidades, sempre no respeito pelo bem comum e no maior rigor pelas virtualidades de um valiosíssimo Património Histórico. 

11h00 - Recepção Rua do Calhau 
11h05 - Entrega das Casas Reabilitadas da Rua do Calhau
11h15 - Entrega das Casas Reabilitadas Rua da Banana



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

[0481] Reunião da Assembleia Municipal da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago

Cumprindo o legalmente disposto no Estatuto dos Municípios, está reunida hoje, dia 8 de Setembro (sexta-feira), desde as 10 horas, na Escola-Oficina da Cidade Velha e em sessão ordinária, a Assembleia Municipal da Câmara da Ribeira Grande de Santiago a fim de discutir, e eventualmente aprovar, o Plano de Actividades e o respectivo Orçamento para 2014, além do expediente normal.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

[0480] Festival Sete Sois Sete Luas 2013

É um dos momentos altos da programação em Cidade Velha o Festival Sete Sois Sete Luas (a 21.ª vez que se realiza em Cabo Verde e a 3.ª no histórico Berço da Nação), sempre com notável sucesso e enorme qualidade quanto aos grupos que o integram – este ano, além do canarino Aristides Moreno que vai actuar na EBI de Cidade Velha, o croata Gustafi e o andaluz Juan Pinilla, os cabo-verdianos Alicerces (da Ribeira Grande de Santiago, que volta a participar no Prémio Revelação), Kuby Djones, Romeu di Lurdis, Tikay, Vulcão e Princezito.

O Festival decorre na Rua do Calhau, nos próximos dias 8 (sexta-feira) e 9 (sábado) e tem, este ano, a particularidade de ter teatro, um grupo de flamenco (o que pela primeira vez se realiza na “cidade do mais antigo nome”) e dança que – com a feliz colaboração da Curadia da Cidade Velha e do Ministério da Cultura – se realiza no sábado. Entretanto, o canarino Aristides Moreno (e o seu violão) actua para os alunos da escola EBI da Cidade Velha às 10h00 de sábado.

O presente evento, promovido por uma Rede Cultural de 33 cidades de 11 Países do Mediterrâneo e do mundo Lusófono: Brasil, Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal e Roménia, realiza a sua programação no âmbito da música popular contemporânea e das artes plásticas. Entre os objectivos do Festival destaca-se o diálogo intercultural, a mobilidade dos artistas dos Países da Rede, a criação de formas originais de produção artística, a divulgação dos produtos locais a nível internacional dos Países da Rede, entre outros.

[0479] III Edição do Festival Sete Sóis e Sete Luas na Cidade Velha



A Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago vem por esta convidar o público a tomar parte no grande evento cultural, III Edição do Festival Sete Sóis e Sete Luas (7S7L) no Berço da Nação cabo-verdiana – Cidade Velha nos dias oito (8) e nove (9) de Novembro de 2013.
 
O presente evento, promovido por uma Rede Cultural de 33 cidades de 11 Países do Mediterrâneo e do mundo Lusófono: Brasil, Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal e Roménia, realiza a sua programação no âmbito da música popular contemporânea e das artes plásticas. Entre os objectivos do Festival destaca-se o diálogo intercultural, a mobilidade dos artistas dos Países da Rede, a criação de formas originais de produção artística, a divulgação dos produtos locais a nível internacional dos Países da Rede entre outros.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

[0478] 1.ª Conferência Internacional Rota dos Presídios do Mundo Lusófono no Tarrafal de Santiago

O Tarrafal de Santiago acolheu, durante dois dias, a 1.ª Conferência Internacional Rota dos Presidios no Mundo Lusófono”.
Com os trabalhos distribuídos ao longo cinco painéis, para além de um público interessado e de antigos presos políticos, participaram também, ilustres especialistas e investigadores de Angola, Cabo Verde,  Guiné Bissau, Portugal e Moçambique, numa reflexão sobre a história e sobre o papel das antigas prisões políticas na manutenção do regime de ditadura, em Portugal e nas suas antigas colónias.

Esta conferência resultou de uma parceria entre a Câmara Municipal do Tarrafal de Santiago e o Ministério da Cultura de Cabo Verde, com o apoio da Universidade de Santiago, da Fundação Mário Soares e de algumas individualidades que a título pessoal desejaram participar neste projeto.

Contou ainda com o Alto Patrocínio e a honrosa presença na sessão de abertura, de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República de Cabo Verde.


Das cerca de vinte e seis conclusões/recomendações alcançadas, é consensual a importância atribuída ao evento, “na perspetiva da criação de um novo espaço formal de reflexão e conhecimento da nossa história comum, eventualmente no âmbito da CPLP, sobre a natureza da ditadura que vigorou durante anos, nos países de expressão portuguesa e da promoção e aprofundamento do estudo científico dos movimentos e processos de resistência dos povos português e africanos pela sua liberdade e autodeterminação”.

A segunda edição desta conferência deverá ocorrer, já no próximo ano, em Angola, seguindo-se-lhe os outros países do “Mundo Lusófono”, tendo em conta as manifestações de interesse reveladas pelos representantes de cada um dos países participantes. 

Visa-se estabelecer uma nova abordagem que de forma integrada analise a importância dos diversos estabelecimentos prisionais, com fins políticos, criados nestes países e como estes se enquadravam num sistema repressivo de âmbito mais alargado.


Os trabalhos terão lugar nas instalações do antigo “Campo de Concentração do Tarrafal” e, para além de atividades complementares de carácter cultural, a realizar ao longo dos dias que antecedem o evento, prevendo-se um outro momento alto e pleno de grande significado para os Tarrafalenses - a assinatura do acordo de cooperação para gestão conjunta do “Museu da Resistência”  entre o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal do Tarrafal.

Outro momento que se espera, também, de grande significado, deverá ser a formalização da “Rota das Prisões” que terá como objetivo essencial, reunir e estimular a produção científica junto de historiadores e especialistas dos países Lusófonos.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

[0477] Pôr-do-Sol Poético na Cidade Velha

Assinatura de protocolo de cooperação entre CMRGS e Academia Cabo-verdiana de Letras

No quadro das comemorações do mês de Outubro – em que, em Cabo Verde, como se sabe, se honra especialmente a Cultura, com destaque para 18 de Outubro, Dia Nacional da Cultura, em homenagem de Eugénio de Paula Tavares, nascido em Nova Sintra, ilha Brava, precisamente a 18 de Outubro de 1867 -, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, em parceria com a Academia Cabo-verdiana de Letras (com a qual é firmado protocolo de colaboração) e a SOCA (Sociedade da Autores de Cabo Verde), organiza no próximo dia 26, sábado, um Pôr-do-Sol Poético em plena rua do Calhau, situada na baixa deste Sítio Histórico junto do Pelourinho da Cidade Velha, em homenagem do falecido Poeta e Escritor Mário Fonseca, Cidadão Honorário de Cidade Velha.

Junto se anexa o programa deste acto:


16h00 – Recepção dos convidados
16h30 – Assinatura do protocolo entre a CMRGS e a Academia Cabo-verdiana de Letras
17h00 – Sessão de poesia organizada pela SOCA (Sociedade de Autores de Cabo Verde)
17h30 – Arruada
20h00 – Encerramento

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

[0475] Conferência de Imprensa dos eleitos municipais do MpD sobre a situação do transporte escolar na Ribeira Grande de Santiago

Os eleitos municipais do MpD (Movimento para a Democracia) em Ribeira Grande de Santiago promovem amanhã, terça-feira, dia 8 de outubro, às 10 horas, na sede da Associação Nacional de Municípios de Cabo Verde, ANMCV (na Achada de Santo António, cidade da Praia), uma conferência de Imprensa a fim de expor as gravíssimas dificuldades com que se deparam os estudantes deste Município, sobretudo os da chamada zona alta, em muito prejudicados pela falta de meios de transporte escolar.

Esta situação, que contrasta em absoluto com os esforços muito positivos da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, a prolongar-se, compromete a vida escolar dos alunos e ameaça o êxito no ano lectivo em curso.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

[0474] FICASE põe em risco o transporte escolar na zona alta de Ribeira Grande de Santiago

A Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago protesta – e condena-o – o comportamento da FICASE, que gravemente põe sem sério risco a continuidade dos estudos por parte dos estudantes residentes no alto do Município. Embora se esteja em princípio de outubro, a FICASE (que rechaçou as tentativas escritas da autarquia para com ela se reunir, como o fez com os pais e encarregados de educação neste concelho) até agora não assinou com eles qualquer contrato ou acordo com estas entidades, não as contactou e muito menos pagou os meses em atraso que tem para com os motoristas dos transportes escolares.

Embora a direcção do Liceu do Salineiro tenha garantido o transporte escolar nesta zona do Município, até o momento o FICASE tem-se comportado com inconcebível imobilismo, nada fazendo neste sentido. Esta atitude em muito contrasta com a da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago que, a tempo e horas, prevenidamente se reuniu com os pais e encarregados de educação para resolver o habitual problema do transporte escolar na zona baixa do Município, incentivou a criação das suas associações e respectiva rede e, exemplarmente confiante nas potencialidades da sociedade civil, entregou-lhes a gestão desse transporte escolar, o qual – graças a isso – foi apoiado pela Associação Bornefound.

Perante este quietismo de que FICASE dá provas, a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago é forçada a sustentar as justas reclamações que venham a ser formuladas pelas associações de pais e encarregados de educação e exige pronto funcionamento deste transporte, como se vem verificando na zona baixa do concelho.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

[0473] Campanhas de sensibilização nas escolas sobre gestão, tratamento e reutilização dos recursos hídricos em Cabo Verde

Decorre a execução do projeto Apoio Institucional à Implementação da Parceria Especial, que inclui - entre outras atividades - campanhas de sensibilização nas escolas sobre Gestão, Tratamento e Reutilização dos Recursos Hidricos em Cabo Verde. O Instituto Tecnológico das Canárias (ITC) é o líder do projecto “ISLHáGUA”, co-financiado pelo programa europeu PCT - MAC 2007-2013, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e do Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) por via do Apoio Institucional à Implementação da Parceria Especial entre Cabo Verde e a União Europeia.

Integram este projecto de Apoio Institucional à Implementação da Parceria Especial diversos parceiros nacionais, como a Associação Nacional dos Municípios Cabo-Verdianos (ANMCV), o Instituto Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos e a Universidade de Cabo Verde, e parceiros internacionais, como a Mancomunidad Intermunicipal del Sureste de Gran Canária (MANSURESTE).

Às 14h30 do dia 4 de Outubro realiza-se uma campanha de sensibilização dos alunos do 6.º ano da Escola de Terra Branca na Escola “A Bela” (ao lado da firma Meno Soares e de Supermercado Calu & Angela, na Terra Branca, cidade da Praia), que terá a presença do Presidente da Associação Nacional dos Municípios Cabo-Verdianos, Dr Manuel de Pina, do representante do Instituto Tecnológico das Canárias (ITC) bem como do MIREX e outras instituções nacionais. Estão contemplados nesta campanha de sensibilização (que decorre de 25 de Setembro a 3 de Outubro) alunos do 6.º ano das Escolas da Praia, do interior da Ilha de Santiago (Ribeira Grande de Santiago, São Lourenço, Santa Cruz, Santa Catarina, São Domingos, São Miguel e Picos), do Mindelo e de Porto Novo.

Dadas a importância dos trabalhos e as limitações resultantes do espaço disponível na sala, a sessão inicia-se impreterivelmente à hora indicada e aconselha-se rigor no cumprimento do horário estebelecido.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

[0472] Missa Solene em honra de São Francisco

Realiza-se no convento de S. Francisco, Cidade Velha, no dia 4 de Outubro,  sexta-feira, às 17 horas, organizado pela Paróquia de S. João Batista – em parceria com a Paróquia do Santíssimo Nome de Jesus e a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago – uma Missa Solene em honra do Dia de São Francisco.

Recorda-se que as históricas ruínas, bem como Sua Santidade, o atual papa, receberam o seu nome em homenagem àquele Santo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

[0471] Conferência de imprensa de apresentação do programa do Dia Mundial do Turismo

Para apresentação à Comunicação Social das celebrações referentes ao Dia Mundial do Turismo na Cidade Velha, a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago promove amanhã, quarta-feira, dia 25, às 11h00, uma conferência de imprensa na sede da Associação Nacional de Municípios de Cabo Verde (Achada de Santo António, cidade da Praia).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

[0470] A 27 de Setembro a Cidade Velha celebra Dia Mundial do Turismo

A 27 de Setembro próximo, sexta-feira, Cidade Velha celebra condignamente o Dia Mundial do Turismo, o que passa a acontecer todos os anos e traduz a importância que o desenvolvimento do sector vem ganhando. Trata-se de uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago e da Curadoria de Cidade Velha - em parceria com a Direcção Geral de Turismo, a operadora de turismo Aliança Krioula e a empresa Global Geo -, e vai ter lugar às 15 horas no empreendimento turístico de Brás de Andrade, Hotel Vulcão, o mais novo estabelecimento turístico do Berço da Nação cabo-verdiana, o que – por si – é elucidativo.

Será feita a apresentação pública dos lugares que foram eleitos como as sete maravilhas da Ribeira Grande de Santiago (nomeadamente, baía de Ribeira Grande de Santiago, vale de Cidade Velha, praia da Kadjeta, rocha de S. João Batista, vale de Pico Leão, gruta de Santa Clara e vale de Santa Clara),  que assim começam a ser integrados no circuito turístico do Município, bem como dos roteiros preparados e serão uma nova animação de Ribeira Grande de Santiago.

A efeméride será completada com uma mostra de artesanato local, saída dos cursos de formação (o futuro Centro de Exposições de Artesanato está, entretanto, a ser aceleradamente construído) e ainda com uma visita guiada ao novel e grandioso empreendimento do Hotel Vulcão, que muito aumenta a oferta turística da “Cidade do Mais Antigo Nome”.

Programa do evento:

15h00 - Boas-vindas
15h15 - Abertura da Sessão
15h45 - Apresentação de Roteiros Turísticos para RGS (Arlindo Sanches - Aliança Krioula)
16h05 - Apresentação de Mapeamento de Roteiros Turísticos para RGS (Leonilde Lima - Global Geo)
16h20 - Apresentação das 7 Maravilhas Naturais de RGS (Natalino Semedo - CMRGS)
17h15 - Visita ao empreendimento “Hotel Vulcão” (Braz Andrade)
17h45 - Cocktail

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

[0469] Associações de pais e encarregados de educação recebem quatro autocarros e assinam protocolos

Foto de um dos autocarros
No âmbito do, cada vez mais avançado, independentismo e reforço da sociedade civil a que se vem assistindo na Ribeira Grande de Santiago, as recém-constituídas associações de pais e encarregados de educação de São João Batista e Porto Mosquito, de Santana, de São Martinho Grande, Bota Rama e Calabaceira e de João Varela recebem na segunda-feira, dia 23, às 15 horas, quatro (4) autocarros, assinando com a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago os protocolos responsabilizando-se pela sua gestão e pelo transporte escolar.

Esta iniciativa, feita em parceria com a BORNEfonden, coroa um processo de reuniões com pais e encarregados de educação destas localidades que decorreu nos meses de Agosto e Setembro, levando a um crescente dinamismo da sociedade civil, para a qual irão sendo cometidas algumas das funções até agora desempenhadas pela autarquia, como recentemente aconteceu com as ambulâncias.

A Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, apostando nas capacidades da comunidade e acreditando nas virtualidades de um democratismo cada vez mais aprofundado, pretende transferir, à medida do possível, para a sociedade civil o maior número de competências funcionais, retirando-se desse modo de intervenções onde a máquina do Governo local é apenas supletiva.

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