quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

[0519] “Operação Vira-Lata”

Em parceria com a ONG “Animal Balance” (uma ONG norte-americana), a Associação Bons Amigos e o Ministério do Desenvolvimento Rural, MDR, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago tem em curso uma campanha com vistas à castração de 500 dos cerca de 600 cães existentes neste município. Esta campanha, com o nome genérico de “Operação Vira-Lata”, insere-se num intenso e desenvolvido processo progressivo de apartar os animais da via pública em todo o município de Ribeira Grande de Santiago.
Iniciada no passado dia 11 e extensiva até dia 17 de Fevereiro, a campanha coroa um processo de consciencialização da opinião pública e prevê também a desparasitação de animais.

Iniciado em Cidade Velha, tem seguimento em Porto Mosquito, Salineiro, Calabaceira e outras localidades. De acordo com as estimativas, existirão cerca de 100 cães em Cidade Velha, mais de 80 cães em Porto Mosquito, 60 em Calabaceira, mais de 50 em Santana e quase 40 em S. Martinho Grande.
No dia 15, sábado, no Largo do Pelourinho (Cidade Velha), às 15H00, a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago promove um “carnaval dos cães”, com desfile de animais, diversos jogos e atribuição de prémios.

Na sequência desta “Operação Vira-Lata”, serão tomadas medidas para o integral apartamento de outros animais da via pública, o que requer a sensibilização da população e demais ações conexas. Pretende-se deste modo disciplinar a criação, higienizar os espaços, melhorar a oferta turística e, assim, contribuir para tornar mais saudável a vida das populações.

[0518] Apresentação do projeto EUROPEAID da Citi-Habitat e da CMRGS

É apresentado na próxima segunda-feira, 17 de Fevereiro, às 15 horas, no novo auditório da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, o projecto EUROPEAID da ONG Citi-Habitat em colaboração com a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago (projecto apoiado da União Europeia) que em muito beneficia o Berço da Nação cabo-verdiana. Presidirão a este importante evento, que conta com a natural presença de representantes da Citi-Habitat, S. Ex.ª o senhor Ministro da Cultura, Dr. Mário Lúcio de Sousa, a embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Dr. José Manuel Teixeira, e o Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Dr. Manuel Monteiro de Pina.

Este projecto, cujo financiamento é de cerca de 31 500 contos CV, terá a duração de 36 meses e será implementado em Ribeira Grande de Santiago. Com ele visa-se promover Cidade Velha enquanto polo de atracção cultural e turística, estimular o empoderamento sócio económico das famílias e das comunidades locais e dirige-se a jovens, mulheres chefes de família, associações, micro e pequenos empreendedores e comunidades. Pretende-se deste modo valorizar o património material e imaterial da Cidade Velha para o turismo, criar um centro cultural multi-funcional para promover os atributos patrimoniais locais, implementar um fundo de apoio à criação de empreendimentos para promover o saber fazer local e assim promover Cidade Velha enquanto pólo de investigação histórico e cultural por excelência.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

[0517] Mais um artigo de Nuno Rebocho, desta vez sobre a tabanka cabo-verdiana

A tabanka - Um ritual de Cabo Verde

A tabanka de Salineiro

Nuno Rebocho
A tabanka – espécie de “irmandade” ou associação de socorros mútuos com objetivos diversos, como sejam a organização de funerais, batizados, etc. (1) (nas palavras de P. Cardoso) - terá surgido em Cabo Vede, nas zonas rurais da ilha de Santiago, por volta do século séc. XVI (segundo alguns estudiosos), mas só no séc. XVIII aparece alguma documentação sobre ela. Constitui uma tradição genuína de Cabo Verde, embora reflita um processo que se desenvolveu também noutras paragens que receberam formas de crioulização – casos de Angola, Brasil, S. Tomé. A escassez documental sobre ela existente entende-se, muito embora tenha chegado a ser proposta a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade: sendo uma manifestação cultural dos mais desfavorecidos da sociedade (entre eles, naturalmente, os escravos) - e por isso pouco letrados ou mesmo iletrados -, para mais hostilizada tanto pela administração colonial como pela Igreja Católica (altamente dominante), a quase absoluta falta de documentos é também uma arma defensiva dos seus praticantes. De facto, a tabanka - segundo Eutrópio Lima da Cruz - "trata-se essencialmente duma procissão dançada [...] que mobiliza uma vila inteira ou grupo de pessoas unidas para a vida e para a morte […] Esta manifestação coletiva insere o indivíduo num sentimento de solidariedade que confere à procissão uma certa importância e lhe dá uma aparência de organização, magnitude, ritmo e esforço coletivo embora continue sendo um divertimento".

A palavra tabanca é proveniente da Guiné-Bissau, de cuja zona dos abundantes rios eram provenientes as primeiras levas de escravos. Originalmente (pelo menos nessa data, séc. XVI, surge o termo em textos portugueses) designaria, em língua temne (2), os baluartes edificados na costa pelos navegadores portugueses. Acabou por se reportar aos aldeamentos guineenses e por essa via entrar no crioulo, reportando-se às festividades dos escravos nos aldeamentos que foram aos poucos aparecendo.

Imagem de tabanka
Imagem da tabanka

Segundo José Maria Semedo e Maria R. Turano, o fenómeno da tabanka no séc. XVIII remonta a um (3) de maio (dia de Santa Cruz dos escravos – daí que grande número de tabankas atualmente existentes a tenham como bandeira), quando os proprietários, senhores de escravos (morgados), imbuídos de espírito cristão, deram, por um dia, a liberdade aos escravos e estes aproveitaram o facto para fazer, em jeito de justificada rebeldia (de acordo com a resistência à situação em que eram colocados), os seus festejos realizando um teatro de rua onde ridicularizavam a estrutura social então em vigor e que logicamente os subjugava, misturando nele aspetos religiosos cristãos com práticas de origem africana. Este período de festa prolongava-se por norma até ao S. João, pelo que S. João Batista é igualmente uma das figuras presentes nas tabankas (é o caso da de Achada Grande, na Praia). E o dia de festa alongou-se por todo um período, desde os princípios de maio até aos princípios de julho.

Como se refere em “Igreja, Missionação e Socialização” (Maria Emília Madeira dos Santos e Maria João Soares, “História Geral de Cabo Verde”, IIPC), “a interpenetração da religião católica e das religiões africanas nas suas manifestações públicas terá proporcionado o franqueamento de barreiras por circunstâncias que passavam despercebidas aos próprios atores católicos e “gentios”. Trata-se de um fenómeno natural: o solstício do verão. Os rituais religiosos dos povos do hemisfério norte são marcados pelo mesmo sentido cósmico e coincidentes, porque se regem pelo tempo astral.

“Assim, o dia de S. João, data do pagamento das rendas rurais e de todos os contratos, representa o dia-a-dia das festividades dos santos populares, já assimiladas na Europa às festas das colheitas durante o mês de junho e acolhidas na tabanka cabo-verdiana”.

O Rei de uma tabanka
O rei de uma tabanka

Assim, a tabanka foi-se desenvolvendo como um desfile público em que cada interveniente representa um elemento da sociedade. Ela foi, na origem, um ritual emergente nas zonas rurais desta ilha (extensivo depois à ilha do Maio) e identifica-se de certo modo com rituais de outras ilhas – como o colá son jon, típico da ilha de Santo Antão, ou as bandeiras da ilha do Fogo. Os senhores de escravos, crioulizados e menos sujeitos às apertadas e ossificadas normas da sociedade reinol, eram por isso mais próximos aos seus dependentes e mais disponibilizadas para estas “liberalidades”.

Por outro lado, nestas zonas rurais, o clero (4) – também crioulizado, sobretudo em consequência das reformas do bispo de Santiago D. Francisco da Cruz - mais com esses rituais se identificava, por que subjaziam à sua origem, e estavam mais predispostos a permitir as práticas onde despontava algo das crenças dos escravos. Estes, por seu turno, convertidos ao catolicismo, procuravam aproximar os seus atos da Igreja Católica (sempre presente nas suas vidas, desde a conversão, forçada ou não), pelo que construíam as suas próprias capelas – que eram o natural centro dos festejos que celebravam. Este processo de aproximação <-> repulsa do catolicismo versus as práticas de raiz animista marcou as festas da tabanka (até aos nossos dias), o que de certo modo transparece também na sua música.

Imagem de tabanka

Embora hostilizada pela Administração portuguesa (que receava a eventualidade de insurreição dos escravos) e pela Igreja Católica, que nela via reminiscências animistas, a primeira legislação proibindo a tabanka apenas surgiu em fins do séc. XIX: com tal repressão se torna ela progressivamente uma manifestação clandestina, sendo mesmo proibida nos principais centros urbanos. Só depois da independência de Cabo Verde, graças a meia dúzia de investigadores e interessados, houve tentativas de ressurreição das manifestações culturais genuínas, ainda que se tenha verificado que, mercê da evolução dos costumes e de relativo aggiornamento cultural das jovens gerações, ela tenha aos poucos desaparecido, perdendo o brilho e o misticismo de outrora.

A tabanka de Salineiro será uma das mais antigas da Santiago, perdendo muitos dos seus elementos (o que a obriga, quando desfila, a incorporar participantes de outras tabankas) e algumas das suas caraterísticas originais. Entretanto, a de Porto Mosquito pura e simplesmente desapareceu, o que terá acontecido a muitas outras. 

Cada tabanka ostenta uma bandeira com o santo a que está ligada, como acontece com as de Santa Cruz, a de S. João Batista, a de S. Jorge. É verdade que muitos elementos se perderam com o andar dos tempos, mas no fundamental que se vai encontrando ainda transparece essa convivência, mesmo que atualmente já raramente se veja a tabanka integral. O que fere as regras da verdadeira tabanka é o aparecimento de imagens de extração contemporânea (é o caso de imagens Che Guevara) – o que reflete uma intenção política por parte dos respetivos promitentes, identificados neste caso com o PAICV (é o caso da tabanka de Santa Cruz - confirmar).

Caraterísticas da tabanka

A tabanka possui as suas figuras - um Rei da Corte, uma Rainha do Corte, um Rei do Campo, uma Rainha do Agasalho (do Gasadjo), o padre, os cativos, os forros, o médico, ladrões (entre eles o falcão e as francedjas), soldados, um juiz, o doido, nalguns casos também um enfermeiro, um professor, autoridades, damas da Rainha (fidjas di santu), diversos “figurões”, etc. Ou seja, procura reproduzir a sociedade envolvente em forma de paródia, que é um modo de a criticar e satirizar, assim a desmontando quando esta se mostrava uma má madrasta. 

Como se observa na “História Geral de Cabo Verde”, “nas cerimónias eram integrados estandartes, cruzes, luzes de velas, azeite, tamboretes, búzios, água benta da igreja matriz, crucifixos e imagens santas, músicas, danças, cantochões e ladainhas, numa coexistência harmonizada dos círculos de convívio”. Havia portanto uma fusão de elementos integrantes do culto cristão-católico com artefactos que eram próprios da vivência animista que habitava a maioria dos participantes da tabanka.

À medida que os tempos foram reduzindo a tabanka aos seus elementos mais simples, afetando a sua complexidade, esta simplificou-se, perdendo-se alguns dos seus ritos, permanecendo embora o cortejo e o almoço. Ou seja, a tabanka foi-se depurando, embora importe sublinhar o que foi e, na medida do que for possível, recuperar algumas das suas etapas entretanto esquecidas.

Estrutura musical

No cortejo que marca a tabanka participam os tambureru (tocadores de tambor), os korneteru (tocadores de corneta, em geral feita de corno) e as kantaderas (cantadeiras) que animam o desfile ao longo de cada trajeto. Outros instrumentos musicais se foram incorporando nos cortejos, parte fundamental deste ritual, como os búzios (que nalguns casos substituem a corneta e noutros com ela coabitam), apitos, corneta de pistões (que substitui a corneta de chifre) e a cimboa ou cimbó (a de Salineiro - tanto quanto é conhecido - é a única que até recentemente o praticava). Como se verifica, são instrumentos musicais rudimentares os que se apresentam na tabanka, dando-lhe por essa forma um cunho que muito sugere os parcos recursos dos seus integrantes originais. (5)

Na preparação dos almoços rituais, os cozinheiros eram acompanhados por grupos que tocavam batuku (que também era efetuado nos batizados) e davam ambiente ao cochir do milho para o pilão. Progressivamente, o batuku, executado num ritmo de tempo binário mas de divisão ternária, marcado pela percussão das tchabetas e palmas acompanhadas ou não pela cimboa monocórdica), às quais se juntam o canto e a dança foi-se automatizando da tabanka, mas inicialmente constituía apenas um dos momentos deste processo. Com as kantaderas (de preferência duas em despique entre si), as batukaderas formavam circularmente entre si, com as txabetas entre pernas dando o ritmo, as ancas das bailaderas saracoteando, com elas com panu ajudando o torno - genuinamente, o batuku é uma demonstração feminina, embora comecem agora a surgir grupos que incorporam homens. Depois, quase em clímax do canto, desabrochando em finaçom (final do som) mais rápido e mais agudo. (6)

Segundo refere Margarida Brito (“Breves Apontamentos sobre as Formas Musicais existentes em Cabo Verde”), o ritmo da Tabanca é binário, executado por tambores, cornetins e búzios, estes geralmente em três registos diferentes (grave, médio e agudo) responsáveis pelo ostinato rítmico-melódico, cuja tessitura geralmente é de uma sexta.

Fases da tabanka

O cortejo da tabanka começava à porta de uma igreja (ou capela) – a que se chamava buska santu, buscar o santo -, percorrendo depois as ruas do centro urbano e integrando o santo a bandeira de cada tabanka (cumpra santu, comprar o santo). Como se observa, a tradição obriga cada tabanka a relacionar-se com a Igreja, contrariando as reservas (por vezes ostensivas) que esta lhes punha.

missa e cortejo

Três dias antes da festa, as noites são ocupadas com a feitura do pilão (cochir o milho sabugo), feito pelas mulheres e de modo a não perturbar as suas tarefas diárias – ás vezes, por isso, feito à noite, fora das horas normais de trabalho. Normalmente é acompanhada de batuku. São os preparativos para o grande repasto em comum, que se celebra no dia da missa e do buska santu, que dava propriamente início aos grandes festejos. Depois de realizada a missa no dia dedicado ao santo, este era roubado da capela da tabanka, iniciando-se então a sua procura teórica – buska santu. Embora na realidade, tudo seja simulado e encenado, parte-se do princípio de que se ignora para onde o santo foi levado. Até à sua recuperação – cumpra santu (o que acontece sete dias depois) – devem celebrar-se salvas durante todas as noites na respetiva capela: com os mais velhos sentados em volta do altar cheio de velas e com dois rapazes, tambureros, colocados de cada lado do altar, tendo na mão uma vara. Segundo JM Semedo, há um ritual a cumprir: o Rei dando indicação ao público para se levantar, os tambureros fletindo a cabeça e levantando-se lentamente. O ritmo dos tambureros acelerava-se, enquanto mudavam as posições das varas.

Seguia-se o ritual do beijo das varas (beju vara), começado pelos homens que, dois a dois, se aproximavam do altar e depois de vénia mútua se ajoelhavam e beijavam as varas. Depois vinham as mulheres e, por último, indo sozinhos, é a vez das Rainhas e dos Reis. Um destes erguia as varas e beijava-as diante do santo. “O último a beijar é o Rei da Corte” (JM Semedo).

O Rei do Campo, que vai às casas, envia o falcão para que roube o santo à Rainha de Agasalho (Rainha de Gasadjo – assim chamada porque recebia o santo), que o espera à porta de sua casa com o Rei da Corte. Para o conseguir, o falcão dissimula-se entre falsos falcões (francedjas), a fim de ludibriar os soldados. O Rei do Campo vai fazendo perguntas ao Rei da Corte em tom mais ou menos jocoso e mostrando-lhe objetos, que o Rei da Corte vai negando. Até que, entre toque de búzios e rufar de tambores, acerta com a localização do santo. Então toma a respetiva vara. Cumpre-se assim o cumpra santu. Como se observa, esta parte da tabanka é muito semelhante à da bandeira, que não é mais – ao fim e ao cabo – do que a tabanka transplantada para as condições da ilha do Fogo.

Após a cerimónia do beju vara, os tambureru dançam em compasso rápido, após o que dão entrada os búzios. Cada toque de tambor corresponde a uma Avé-Maria (tal como as ladainhas, parte das ressas). No caso de, entretanto, falecer algum elemento da tabanka, reza-se a respetiva salva sete dias depois do enterro. No final desta cerimónia procede-se ao levantamento da esteira.

o ritual do repasto

O almoço ritual é um dos momentos altos da celebração da tabanka. Antes é preparado o pilão, cochinado o milho num instrumento onde este é colocado e esmagado. A preparação do repasto, tal como o repasto, é feita em clima de festa coletiva, acompanhado por um batuku. È a parte totalmente entregue aos cuidados das mulheres e tem uma grande identificação com as celebrações próprias da banderona – de resto, esta parte da tabanka leva a considerar a bandera como uma variante de tabanka transplantada para a vizinha ilha do Fogo.

Como preparativo da tabanka, prepara-se por norma uma caxupada, também sendo nalguns casos preparado o xerém ou o cuscus à maneira cabo-verdiana. Todavia, como acontece em Salineiro, também se apresenta um guisado de cabrito com mandioca ou canja de frango. Porém, ao contrário de Portugal, a canja não é uma refeição de cariz médico – uma aguadilha de galinha em caldo de arroz, de resto introduzido na culinária portuguesa como originária da antiga Índia portuguesa.

o cortejo

Hoje em dia, a celebração da tabanka está praticamente reduzida ao seu cortejo, que culminava os atos de cumpra santu (onde se obtinha a designação de quem no ano seguinte tinha o encargo de celebrar a festa e abrir capela – ritual mantido pela generalidade das bandera). Eram assim sete dias de folguedo depois que se procedia ao buska santu. 

O desfile era iniciado pelos ladrões (encarregues de recuperarem o santo e indicarem a casa e o festeiro que no ano seguinte tem que realizar a festa; tinham também a tarefa de abrir caminho pelas ruas por onde o cortejo passa). Depois dos ladrões, seguem-se os cativos que eram para tanto “batizados”. E culmina com os forros que se integram no cortejo, E o falcão, a quem compete identificar e assinalar com uma bandeira a casa onde o santo está guardado, devendo então roubá-la e levá-la ao Rei de Campo, que integra o cortejo.
Como se observa, a tabanka – muito influenciada pelos ritos religiosos – conserva em si muitos elementos que integram a missa católica.

Tabankas existentes e organizações diversas
Algumas tabankas subsistem:
- Tabanka de Salineiro
- Tabanka da Várzea
- Tabanka de Achada Grande
- Tabanka da Achada de Santo António
- Tabanka de Santa Cruz
- Tabanka de Chã de Tanque
- Existe atualmente uma Associação Cabo-verdiana de Tabankas. Houve em Assomada um Museu Nacional da Tabanka, que foi substituído (numa má política) pelo Museu Norberto Tavares, ainda que este músico muito mereça ser invocado. 
- Existem Casas da Tabanka, sobretudo em Chã de Tanque, que de algum modo lhe conservam a memória. 

Bibliografia

História Geral de Cabo Verde, IIPC.
BRITO, Margarida - Breves Apontamentos sobre as Formas Musicais existentes em Cabo Verde , 1998.
CARDOSO, P. - Folclore Caboverdiano, 1933.
LOPES, João – Apontamento, in Claridade, nº1, março de 1939
MONTEIRO, Félix – Tabanka, Evolução, in Claridade nº 6, junho de 1948.
REBOCHO, Nuno - Irmandade dos Homens Pretos de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Ribeira Grande de Santiago.
SEMEDO, José Maria e TURANO, Maria R. – Cabo Verde, o Ciclo Ritual das Festividades da Tabanca, Spleen, s/d.
1 – Esta situação obriga a que se explore devidamente as pistas deixadas pela linguagem (oral ou escrita), significativas pegadas que indicam as diversas etapas da tabanka. Ajuda a perceber – sobretudo devido à falta de documentação, explicada sobretudo pelo facto dos seus elementos serem iletrados e a classe dominante a menosprezar - a evolução da tabanka e de algum modo traça muito do seu perfil, contribuindo para a perceção da sua história.

2 – O temne (também conhecido como 'themne' ou 'timne') é uma língua da subfamília atlântica falada em Serra Leoa por aproximadamente 2 milhões de falantes, ou seja, mais de 30% da população desse país. Trata-se de uma língua tonal, sendo uma das línguas mais faladas em Serra Leoa. O temne está relacionado às línguas baga, faladas na Guiné e ao sherbro falado em Serra Leoa. Também há temnes em diversos outros países da África Ocidental, como Guiné e Gâmbia. 

3 – A tabanka foi, pois, uma forma embrionária de associação de socorros mútuos, talvez imitando outras associações porventura existentes – caso da Irmandade dos Homens Pretos -, procurando reproduzir (ou imitar) os modos de organização na sociedade que viam à sua volta, buscando generalizar os seus modelos e tentando levá-los às classes mais desprotegidas. A tabanka tem, pois, afinidades com a Irmandade dos Homens Pretos, podendo ser por esta influenciada.

4 – Morgados e baixo clero eram naturalmente mais suscetíveis de “contaminação” com as camadas sociais de que eram cotangentes. Neste aspeto, eram o ela mais fraco do rolo compressor/opressor da classe dominante e, por isso, mais sensíveis aos usos e costumes dos escravos deles dependentes.

5 – “O Batuque, de origem africana, que surge em Cabo Verde provavelmente só na ilh ade S. Tiago (existente também no Brasil, através da ida dos escravos, e nos Açores, na ilha de S. Miguel), é executado num ritmo de tempo binário mas de divisão ternária, marcado pela percussão das 'tchabetas e palmas' acompanhadas pela cimboa monocórdica, às quais se juntam o canto e a dança.

“Segundo Dulce Almada, o Batuque é uma variante do ritmo de San Jon. Esta teoria tem a sua razão de ser na medida em que o Batuque, inicialmente de ritmo binário, (no Brasil este ritmo manteve-se) isto é, num compasso binário simples de dois por quatro, transformou-se no mesmo ritmo de San Jon que é o compasso composto de seis por oito, pois são compassos correspondentes, cada compasso simples corresponde a um compasso composto e vice-versa. No San Jon o andamento é mais acelerado e a poliritmia é mais complexa” (“Breves Apontamentos sobre as Formas Musicais existentes em Cabo Verde”, Margarida Brito).

6 – “O Finaçon é uma melopeia que consiste num encadeamento de provérbios ou assuntos do quotidiano, declamados, com inflexões vocais, no ritmo de batuque, quase sempre improvisados no momento e normalmente cantado por uma mulher. Esses improvisos podem arrastar-se durante horas”. (“Breves Apontamentos sobre as Formas Musicais existentes em Cabo Verde”, Margarida Brito).

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

[0516] Mudança de local de assinatura de protocolo de colaboração entre a FICASE e a CMRGS

Ao contrário do que antes foi anunciado, será na Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde, na cidade da Praia, que terá lugar no próximo dia 7 (sexta-feira), às 10h00, a assinatura do protocolo de colaboração e parceria entre a FICASE, Federação Cabo-Verdiana de Acção Social e Escolar, pelo seu Presidente, Felisberto Moreira, e pelo Presidente da Câmara da Ribeira Grande de Santiago, Manuel Monteiro de Pina. 

[0515] Protocolo de colaboração entre a FICASE e a CMRGS

Na sede da FICASE, Federação Cabo-Verdiana de Acção Social e Escolar, à Achada de Santo António (na cidade da Praia), é assinado no dia 7 (sexta-feira), às 10h30, pelo seu Presidente, Felisberto Moreira, e pelo Presidente da Câmara da Ribeira Grande de Santiago, Manuel Monteiro de Pina, o protocolo de colaboração e parceria entre as duas entidades atrás referidas.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

[0514] Vitor Ramalho, secretário-geral da UCCLA, novo Cidadão Honorário da Cidade Velha e homenagem ao Padre António Vieira

O secretário-geral da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA), Vítor Ramalho, recebeu hoje o título de Cidadão Honorário da Cidade Velha no Convento de São Francisco da Ribeira Grande de Santiago. A atribuição do honroso galardão foi decidida pelo executivo da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago (membro efectivo da UCCLA).

Vítor Ramalho descerrou uma placa comemorativa da passagem do Padre António Vieira pela Ribeira Grande de Santiago - Cidade Velha. Esta placa, oferta da UCCLA a pedido da autarquia, será oportunamente colocada na fachada da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Grandes ou do Rosário dos Pretos. Eis algumas fotos de ambos os acontecimentos:

Vitor Ramalho recebendo o diploma de Cidadão Honorário da Cidade Velha
Durante o almoço, no Hotel Limeira

Com o Presidente da CMRG, Dr. Manuel Monteiro de Pina

O Presidente da CMRG e o novo Cidadão Honorário da Ribeira Grande de Santiago descerrando a placa de homenagem ao grande pregador português Padre António Vieira


Nuno Rebocho, assessor do Presidente da CMRG, explica o significado de epitáfio em pedra tumular


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

[0513] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Homenagem a Zé Espanhol

Amanhã, sexta-feira, dia 31 de Janeiro, a partir das 16h00, no Largo do Pelourinho de Cidade Velha – e no âmbito dos festejos de Nhu Santu Nomi di Jesus e do Dia do Município –, é prestada homenagem a Zé Espanhol (de seu verdadeiro nome José Rocha dos Santos) que, sendo fidju di tera, muito tem dignificado Ribeira Grande de Santiago e de manhã recebe no Convento de S. Francisco o título de Cidadão de Mérito do concelho. 

Natural deste Município, participam no espectáculo em sua honra Beto Dias, Edu, Duco Cidade e Dju, além do próprio Zé Espanhol.

[0512] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Dia do Município de Ribeira Grande de Santiago

Foto site CMRG
Com a presença de S. Exª o senhor Primeiro-Ministro, Dr. José Maria Neves, e do Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Dr. Manuel Monteiro de Pina, decorre amanhã, sexta-feira, dia 31 de Janeiro, no Convento de S. Francisco, Cidade Velha, a partir das 10h00, a sessão solene do Dia do Município, sob presidência do Presidente da Assembleia Municipal de Ribeira Grande de Santiago, Dr. Domingos Veiga Mendes.

Durante este importante ato, serão distinguidos com o diploma de Cidadão Honorário de Cidade Velha o Secretário-Geral da UCCLA (União das Cidades Capitais da Lusofonia), Dr. Victor Ramalho, e com os diplomas de Cidadãos de Mérito do Município os senhores José Rocha Santos (José Espanhol), Fausto Nunes Barbosa e Luísa Ferreira Gonçalves.

Para assinalar a data, será publicamente divulgado o novo jornal municipal (de edição bimestral) “Construir Ribeira Grande” e apresentado por Dr. Flávio Semedo o site da CMRGS, hospedado em www.cmrgs.com, que representa um passo dado na intercomunicação na Câmara Municipal, que passa a dispor  - a partir de agora - de um e.mail (cmrgs@gmail.com), de um facebook (Câmara Municipal RGS), de um blogue (CIDADE VELHA 1462, http//cidadevelha1462.blogspot.pt), iniciativa de um amigo de Cidade Velha, Dr. Joaquim Saial, e de You Tube. Ou seja, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago passa a contar com um sistema de comunicação moderno apto a servir em qualquer circunstância.

Da parte de tarde, a partir das 15h30, depois do almoço oficial no Hotel Limeira de Cidade Velha para celebração da data, é descerrada uma lápide evocativa da presença nesta cidade do Padre António Vieira (importante missionário jesuíta português do séc. XVIII), oferta da UCCLA, junto da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. 

[0511] O secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Vítor Ramalho, vai receber o título de Cidadão Honorário da Cidade Velha, em Cabo Verde, na próxima sexta-feira.

Ver AQUI

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

[0510] "Prémio Literário Pedro Silva" (Ribeira Grande de Santiago) - Regulamento

Sublinhando a edificação da futura Biblioteca Municipal Dr. Pedro Silva (cuja construção se começa em S. Martinho Grande, onde provisoriamente vai ser instalada), foi criado o "Prémio Literário Pedro Silva", com vista a divulgar a literatura cabo-verdiana e incentivar o gosto pela escrita e pela leitura. 
Neste sentido, foi aprovado o seu Regulamento, que se divulga:

Regulamento do "Prémio Literário Pedro Silva"

Introdução

Subjacentes à criação deste Prémio Literário estão três motivações fundamentais: em primeiro lugar, a divulgação da literatura cabo-verdiana, a referência ao escritor e patrono da Biblioteca Municipal, Pedro Silva, e a vontade de incentivar o gosto pela escrita e pela leitura. 

Artigo 1.º
O Município de Ribeira Grande de Santiago, com sede em Cidade Velha, institui o Prémio Literário Pedro Silva, destinado a nascidos e residentes em Cabo Verde, e que será realizado por uma (1) única vez.

Artigo 2.º
O Prémio Literário Pedro Silva tem como âmbito o premiar um trabalho inédito na área literária definida como Ficção/Conto. O prémio será a publicação em formato impresso (livro) nas publicações euidito . Os segundo e terceiro classificados receberão uma Menção Honrosa. Tanto o lançamento da obra vencedora, quanto a entrega das menções honrosas, acontecerão no mesmo dia, a marcar em 2014, depois da inauguração da Biblioteca.

Artigo 3.º
Podem concorrer todos os naturais ou residentes em Cabo Verde.

Artigo 4.º
Cada concorrente poderá apresentar um máximo de uma obra original, tendo de obedecer aos seguintes parâmetros:
* Redigido em língua portuguesa; 
* Máximo de 125 páginas de formato A4, com espaço duplo entrelinhas e tamanho 12 no corpo da letra, sendo a opção o Times New Roman;
* Os originais deverão ser enviados, sob pseudónimo, por correio registado para: (INSERIR MORADA DA Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago); 
* Os originais devem seguir em uma cópia impressa e uma cópia em CD/DVD ou outro sistema informático que permita a leitura no computador;
* Com os originais deverá seguir um envelope fechado, contendo os dados referentes ao autor;
* Os trabalhos devem ser entregues no período que medeia entre o dia 1 de Fevereiro e 31 de Março.

Artigo 5.º
O trabalho que, pela sua qualidade literária, mais se distinga entre os autores naturais ou residentes de Cabo Verde será publicado como contrapartida pela distinção.

Artigo 6.º
Caberão ao Município da Ribeira Grande de Santiago todos os direitos sobre a primeira edição do trabalho premiado, comprometendo-se este a oferecer ao respectivo autor 10 exemplares, considerando-se os direitos de autor regularizados desta forma. 

Artigo 7.º
Poderão, ainda, ser atribuídas menções honrosas às duas obras classificadas em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Estas Menções Honrosas terão a forma de um Diploma.

Artigo 8.º
A entrega dos prémios será feita em sessão pública a determinar pela Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago.

Artigo 9.º
O júri será composto por: 
* Presidente Honorário (dr. Pedro Silva);
* Um membro indicado pela Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, pelo seu vereador da Cultura;
* Uma personalidade reconhecida pelo seu mérito intelectual (prof. João Lopes Filho);
* Um Cidadão Honorário da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago (dr. Joaquim Saial)

Artigo 10.º
O júri poderá não atribuir qualquer prémio, caso considere que os trabalhos apresentados não reúnem condições de qualidade que o justifiquem. 

Artigo 11.º
Os casos omissos ou as divergências na interpretação do presente regulamento serão solucionados pelo júri. 

Artigo 12.º
Das decisões do júri não haverá recurso. 

Deste modo, ficam abertas (até 31 de Março) as candidaturas a este Prémio.
Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, 29 Janeiro 2014


[0509] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Inauguração da Placa Desportiva de João Varela

Com a presença do Director Geral de Desportos, dr. Inácio de Carvalho, o Presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, dr. Manuel Monteiro de Pina, inaugura amanhã, dia 30 de Janeiro, às 16h15, a placa desportiva de João Varela, dando continuidade ao programa em curso no actual mandato camarário “uma localidade, uma placa desportiva”, ao abrigo do qual foi já construído o de Calabaceira de Cidade Velha e iniciados os trabalhos para a construção do de Santana. Neste momento, existem placas em Porto Mosquito, Chã de Igreja (S. João Baptista), Salineiro, João Varela e S. Martinho Grande, estando iniciados as obras de reabilitação do de Chã Gonçalves, permitindo assim a generalização da actividade desportiva em Ribeira Grande de Santiago dentro de uma política de “mente sã em corpo são”.

Para assinalar o ato inaugural ocorrido em João Varela, jogam-se ali, às 15h00, as finais do Torneio Intermunicipal de Futsal entre os seleccionados de Bota Rama e S. Martinho Grande (que dirimam entre si o 3.º lugar) e os de Cidade Velha e Porto Mosquito em disputa do 1.º lugar.

[0508] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Inauguração do Anexo da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago

O Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, dr. Manuel Monteiro de Pina, inaugura amanhã, quinta-feira, dia 30 de Janeiro, às 15h00, o anexo dos Paços do Concelho, que largamente o amplia e permite a concentração de serviços municipais que antes se encontravam dispersos em Cidade Velha, o que minimiza despesas no aluguer de casas e em muito melhora o atendimento público. Trata-se, portanto, de um melhoramento de grande impacte na vida desta autarquia com grandes repercussões na vida da sua população.

O anexo fornece numerosas salas de trabalho e um auditório que reforça o número de espaços disponíveis em Cidade Velha para a realização de eventos.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

[0507] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Importantes obras na Ribeira Grande de Santiago

O Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, dr. Manuel Monteiro de Pina, lança a primeira pedra da placa desportiva de Santana, que é parte do programa “uma localidade, uma placa desportiva” em execução neste Município, na próxima quarta-feira, dia 29 de Janeiro, seguindo-se a inauguração das redes de água domiciliária também em Santana e Tronco.

Depois, às 16h00 desse dia, em conjunto com a Ministra do Desenvolvimento Rural, Drª Eva Ortet, procede à inauguração de igual rede em Lém Dias e Sanharé, concluindo-se deste modo o programa de distribuição de água ao domicílio no Município da Ribeira Grande de Santiago (programa “uma habitação, uma torneira”), que assim fica neste domínio na vanguarda de Cabo Verde.

Segue-se (às 16h30) o lançamento da primeira pedra da Biblioteca Municipal Dr. Pedro Silva em S. Martinho Grande. Às 16h40 procede ao lançamento da primeira pedra dos trabalhos de requalificação das ruas de S. Martinho Grande.

[0506] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Meias-finais do Torneio Intermunicipal de Futsal

Os seleccionados de Cidade Velha, Bota Rama, Porto Mosquito e S. Martinho Grande foram apurados na primeira fase Torneio Intermunicipal de Futsal, actualmente em curso em honra de Nhu Santu Nomi di Jesus (jogando todas as equipas participantes contra todas), pelo que passaram à fase das suas meias-finais, marcadas para amanhã, terça-feira, dia 28, na placa desportiva de Salineiro, a partir das 14h30. Deste modo, disputam-se então os seguintes jogos:

Cidade Velha-Bota Rama
Porto Mosquito-S. Martinho Grande.

O Torneio Intermunicipal de Futsal culmina no dia 30 com a inauguração da placa desportiva de João Varela, onde se disputa a final, e que representa mais um importante passo no programa “uma localidade, uma placa desportiva”, a ser executado para permitir condições de generalização da prática desportiva em Ribeira Grande de Santiago. Já têm placas desportivas as localidades de Porto Mosquito, Chã de Igreja (São João Baptista), Salineiro, Calabaceira e S. Martinho Grande, começando os trabalhos para a reabilitação da de Chã Gonçalves e, no dia 29, com a presença do Presidente da Câmara de Ribeira Grande de Santiago – dr. Manuel Monteiro de Pina – é lançada a primeira pedra da de Santana.

sábado, 25 de janeiro de 2014

[0505] Adiamento da inauguração da rede de distribuição de água domiciliária em Tronco e Santana

Devido à necessidade de corrigir algumas anomalias e por causa do Festival de Nhu Santu Nomi di Jesus que entretanto decorre, o acto de inauguração da rede de distribuição de água domiciliária em Tronco e Santana (tal como o lançamento da primeira pedra da placa desportiva de Santana) foi transferida para dia 29. Desta forma, procura-se que tudo se faça nas melhores condições possíveis, nunca defraudando as legítimas expectativas dos beneficiados por estas obras.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

[0504] O corsário Francis Drake na Ribeira Grande de Santiago - Mais um valioso texto de Nuno Rebocho

Nuno Rebocho
Como se sabe, as investidas de corsários a Santiago, principalmente contra Ribeira Grande, centraram-se sobretudo na segunda metade do séc. XVI: “A partir da década de 1560, a concorrência cada vez mais acentuada de mercadores estrangeiros que inundam a Guiné com um diversificado leque de produtos, deprecia gradualmente o algodão produzido em Cabo Verde e usado pelos moradores no resgate na costa africana” (in História Geral de Cabo Verde). Os corsários foram uma das armas usadas nesta “guerra comercial” visando fragilizar o domínio de Portugal e Espanha nos territórios atlânticos, dado que as potências do norte da Europa não reconheciam o chamado mare clausum resultante do Tratado de Tordesilhas e punham em causa o poder da Santa Sé. Em consequência, “o arquipélago entra numa nova fase em que os sistemas de desgaste do modelo inicial se tornam evidentes, culminando na crise que se abate sobre a sociedade insalubre já nos fins da década de seiscentos” (“História Concisa de Cabo Verde”, coordenada por Maria Emília Madeira Santos, IIPC).


Francis Drake, por Jodocus Hondius
Há uma certa tendência da literatura historiográfica, sobretudo cabo-verdiana, para desvalorizar e menosprezar a actividade dos corsários, considerando-a uma acção marginal. Tal está longe de corresponder à verdade dos factos: tendo em conta que ela afectava bastante a circulação de riqueza atlântica, cuja defesa era então muito frágil, envolvendo proeminentes figuras da história europeia, conclui-se facilmente que esta acção estava longe de ser marginal e muito contribuiu para a decadência do poder de Ribeira Grande de Santiago, nessa altura o rico entreposto do tráfico de escravos. Os golpes desferidos pelos corsários, sendo perniciosos para Lisboa e Madrid, eram um poderoso instrumento das cortes que se lhes opunham.

No arquipélago de Cabo Verde vingava então uma urbe que se tornara num importante entreposto escravocrata: “o local escolhido para o povoamento da vila era um vale profundo e verdejante que era rasgado por duas ribeiras que desaguavam no mar, formando uma enseada com boas condições para a instalação de um porto que facilitasse as ligações com o exterior. 

Ribeira Grande de Santiago, dita Cidade Velha
“No período compreendido entre a instalação do núcleo de Ribeira Grande até aos finais do séc. XV, o aglomerado cresceu e desenvolveu-se em torno do seu porto e actividades comerciais dos seus moradores para, em 1497, já contar com uma Câmara a funcionar (ainda que a localidade só viesse a contar com o título oficial de vila em 1513)” (Fernando Pires, Da Cidade da Ribeira Grande à Cidade Velha de Cabo Verde).

Em consequência da carta régia de 12 de Junho de 1466, a actividade de comércio e exploração a partir de Ribeira Grande (e tal incidia sobre o tráfico de escravos) estendia-se desde Arguim à Serra Leoa, confinando-se esta actividade à zona dos rios da Guiné por outra carta régia de 1472.

Aparecem os corsários

Considerava-se que havia corsaria quando os golpes eram desferidos como actos reconhecidos e mandados executar sob ordens de um qualquer governo, recebendo então eles para este efeito carta de corso, e pirataria quando aparentemente essa disposição não existia. Embora piratas e corsários fossem a mesma coisa e igual o seu modo da actuar, aceite-se esta eufemística distinção, sublinhando que portugueses e espanhóis procediam igualmente à mesma actividade de corso ou pirataria contra os seus opositores (e muitas vezes nos seus próprios territórios).

Galeão de Francis Drake
De uma maneira geral, a história do corso (ou da pirataria), no que a Cabo Verde respeita, desdobra-se por quatro fases: na primeira fase, assiste-se a uma predominância francesa nestes ataques, que se registam maioritariamente a partir de 1530 no mar, estando as ilhas praticamente deles desprotegidas; numa segunda fase, em particular depois da assinatura do Tratado de Léon entre Portugal e França, em 1538, são os ingleses que tomam a dianteira, passando esta actividade a efectuar-se em terra, com ataques às cidades; numa terceira fase, a partir de fins de 1590, é sobretudo holandesa a acção: na quarta e última fase, verifica-se com o ataque de Jacques Cassard a Ribeira Grande de Santiago, praticamente o encerramento deste ciclo.

Para custear as despesas com a defesa de Ribeira Grande a coroa instituiu a Bula da Santa Cruzada de Cabo Verde, embora os ganhos auferidos por esta medida minguassem sobremaneira nos fins do séc. XVI (enquanto as despesas acresciam) e a Bula acabasse por entrar em desuso.

Durante o período inglês sobressaiu Francis Drake, nascido no Devonshire em 1543. Ele foi – desde 1558 (portanto, com apenas quinze anos de idade) - um dos “corsários da rainha” de Inglaterra, Isabel I (de quem alguns historiadores afirmam ser filho bastardo, com isso explicando as preferências que dela teve), juntamente com John Winter e Thomas Doughty. Os três partiram de Plymouth, com Drake a bordo do “Pelican”, em 15 de Novembro de 1577 com destino suposto ao Nilo, ainda que Drake desde logo defendesse que se dirigissem para o Oceano Pacífico, via estreito de Magalhães. 

A circum-navegação do mundo por Francis Drake
Nessa viagem, Drake surgiu em águas cabo-verdianos (primeira incursão) vindo por apelo de seu primo, John Hawkins - por volta de 1578 -, aprisionando então seis barcos que se encontravam ancorados em Ribeira Grande. Hawkins atacara pouco antes Ribeira Grande e depois mancomunou-se, em S. Filipe do Fogo, com Manuel Serradas e os partidários de D. António Prior do Crato. Tendo enganado os residentes de Ribeira Grande, Hawkins foi por sua vez vítima de uma cilada que lhe matou um punhado de homens.

Esta circunstância pôs os corsários ingleses em alerta contra as capacidades de combate da então capital de Cabo Verde - embora ainda não estivesse construída a sua fortaleza e fossem frágeis os três baluartes por essa altura existentes (S. Brás, construído em 1582, Vigia e Ribeira) – e preparou o posterior ataque de Francis Drake. Estavam os locais preparados e justamente desconfiados das intenções inglesas.  
De Cabo Verde, Drake prosseguiu rota para o Pacífico (em 1578/79) ao comando de cinco navios, passando pelo estreito de Drake e seguindo pelas Índias Orientais, passando pelo Cabo da Boa Esperança, sendo o segundo europeu a fazer a circum-navegação mundial (1580, depois de Sebastián del Cano). Após esta viagem, Drake foi nomeado cavaleiro de Inglaterra.

Considerado herói pelos britânicos, recebeu deles as mais altas honrarias, enquanto Filipe II de Espanha, que o tratava por “el Drague”, pôs a sua cabeça a prémio (20 000 ducados).

Imagem do que terá sido a Invencível Armada
Em 1585, Drake voltou a atacar Ribeira Grande (segunda incursão), tendo desembarcado em Praia e vindo por terra até à capital, evitando alardes por parte dos esculcas - Drake iniciou os combates por terra, ainda que Serradas já antes tivesse desferido o seu golpe a partir da Praia. Este processo serviu para industriar o corsário inglês com vistas a uma terceira investida sobre Ribeira Grande de Santiago, onze anos mais tarde.
Em 1587, voltou a atacar a coroa espanhola (em Cádis, la Coruña e Lisboa) e no ano seguinte, em 1588, liderou o conjunto de embarcações inglesas que derrotaram a famosa “Invencível Armada” espanhola (chamada de “Grande y Felicíssima Armada”) na batalha naval de Gravelines, apenas estando subordinado a Charles Howard e à rainha, afundando então nada menos que 23 navios.

Em 1596, Drake fez terceira incursão em Santiago, desembarcando em S. Martinho Grande (Cadjetona) – onde se pensou construir um baluarte, o que nunca se verificou - e rumando por terra para Ribeira Grande à frente de uma coluna de 600 homens, galgou a distância, assim ludibriando as esculcas e os rebates, o que lhe permitiu desferir o golpe sem que houvesse rebate defensivo. Os corsários deixavam de concentrar atenções nos navios ancorados na baía de Ribeira Grande, atacando directamente os mercadores sediados na cidade e apropriando-se dos escravos nela existentes.

Mapa do género dos  usados por Drake
Sabe-se que Drake arrasou o almoxarifado de Ribeira Grande, então localizado perto da anual escola primária de Cidade Velha, segundo o demonstram escavações feitas. A cidade foi alvo de destruições várias e as suas riquezas pilhadas. Foi um rude golpe que fez tremer e temer a sociedade de mercadores e navegadores que Ribeira Grande era então.

A defesa de Ribeira Grande reforça-se

Quando Drake procedeu à sua terceira investida, já existia a Fortaleza Real de S. Filipe, começada a construir em 1588 e concluída em 1589. A defesa recebera importantes reforços, com a instalação de companhias – onde os escravos dominavam, mas onde havia soldados e oficiais profissionais – e colocação de alguma artilharia, culminando com sistema de baluartes, a partir dos quais se fazia fogo cruzado (sete baluartes, a saber: o de S. Brás, o de Santa Marta e o de S. Lourenço, todos na margem direita da ribeira de Maria Parda; o do Presídio, junto da Muralha do Mar; os de Santo António, de S. João dos Cavaleiros e o de S. Veríssimo, na margem esquerda da Ribeira Grande, quase todos recuperáveis).

Estátua de Francis Drake, Londres
Posteriormente à segunda investida de Drake, assistiu-se à profunda reforma filipina do sistema de defesa de Ribeira Grande de Santiago: é no reinado de Felipe II que ela atinge o auge, principalmente com a construção da Fortaleza Real, segundo o traço de João Nunes de acordo com estudos mandados fazer por Diego F. Valdez e reforçados com a edificação de um conjunto de baluartes completamente integrados na sua linha de defesa.

Simultaneamente, rectificou-se a estratégia defensiva – com os navios navegando em “conserva” (de modo que o seu agrupamento minorasse significativamente a acção dos corsários), havendo galeotas que entretanto percorriam os mares, servindo-se da sua grande mobilidade e agilidade para actos de vigilância, e melhoraram-se os processos de espionagem sobre a parte contrária. Considerou-se o armamento artilheiro e outro de que Cabo Verde tinha graves carências e reformou-se a organização das tropas de terra, que desde 1582 se fez pelo sistema de companhias de ordenanças (bandeiras, tendo entre 250 e 170 homens, formadas a partir de esquadras de 25 soldados).

A unificação das coroas ibéricas (em 1580) importou num reforço das condições de segurança e, nunca como então, Cabo Verde mereceu especiais atenções na sua capacidade de combate. O redobrar desta força, que se estendeu até meados do reinado de Filipe III, foi acompanhado também por um reavivar dos ataques corsários, que se agudizaram de intensidade e ainda de poder de fogo.

Um personagem fundamental na história de Ribeira Grande 

Drake a ser armado cavaleiro por Isabel I
Sir Francis Drake, arvorado no posto de vice-almirante britânico, faleceu a 28 de Janeiro de 1596 a bordo do “Defiance” e a combater os espanhóis em S. Juan de Puerto Rico, vítima de disenteria. O seu corpo foi lançado ao mar em Portobelo. Contava  55 anos. Ficou conhecido por sua luta obstinada contra Filipe II da Espanha e por ter sido então o primeiro dos grandes da marinha inglesa. A sua vida e acção são indissociáveis da história de Ribeira Grande de Santiago, da sua antiga riqueza e posterior decadência. A sua figura e personalidade serão, por alguns, criticáveis, mas devem ser entendidas de acordo com os padrões da época. Ele foi, sem dúvida, importante para a história de Ribeira Grande, que não pode ser escrita sem o ter em conta.

Francis Drake trabalhou para a Rainha Isabel I procurando acumular tesouros e riquezas para a coroa inglesa. Porém, caso essa aliança causasse problemas de qualquer espécie para a Rainha, a rainha poderia simplesmente quebrar o acordo e responsabilizá-lo por todos os saques e ataques (sem seu conhecimento), livrando a coroa de todo e qualquer problema presente e futuro. 

[0503] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Festival de Nhu Santu Nomi di Jesus

Com os patrocínios da Direcção Geral de Turismo (através do Fundo de Sustentabilidade de Turismo), da Cavibel, da Mantenhas Ld, da RTC e do Hotel Praia-Mar, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago – em parceria com a JM Produções – organiza nos dias 24 (hoje, sexta-feira) – a partir das 23H00 - e 25, sábado à mesma hora, na Achada Forte (Cidade Velha), o Festival de Nhu Santu Nomi di Jesus.

Em espaço novo e amplo, erguido para o efeito e para eventuais novos eventos musicais, as entradas neste festival estão condicionadas a pagamento, embora módico, tendo todas as condições de segurança e de higiene. Em espírito de renovação e com novo perfil, os horários (que se anexam) tendem a ser rigorosamente cumpridos.

Actuam neste festival os seguintes intérpretes: dia 24 - Edu, TL Dreams, Djay, Jorge Neto e Zé Espanhol; dia 25 – Beto Dias, Ferro Gaita, Djodji e Gil Semedo.

[0502] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Inaugurações da rede de abastecimento de água domiciliária em Santana e Tronco

O Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, dr. Manuel Monteiro de Pina, inaugura no próximo sábado, 25 de Janeiro, às 15h30, a rede de abastecimento de água domiciliária em Santana e às 16h30 procede a igual inauguração em Tronco. Com estas inaugurações a rede de abastecimento de água em Ribeira Grande de Santiago – no âmbito de um ambicioso programa “uma habitação, uma torneira” -, cujos trabalhos se iniciaram há cerca de seis anos, partindo de um patamar de apenas 7 % do território municipal beneficiado por esta serventia própria dos tempos hodiernos, entra em fase de conclusão, ficando o Município na vanguarda de Cabo Verde quando a este item.

[0501] Tenda electrónica em Cidade Velha

No próximo domingo, dia 26 de Janeiro, estará em funcionamento na Cidade Velha, junto da Rua Calhau, a partir das 16 horas, uma tenda electrónica a fim de com ela satisfazer os desejos de diversão de moradores e visitantes da Ribeira Grande de Santiago.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

[0500] NO POST 500, uma bela notícia: geminação de Cidade Velha com Cacheu (Guiné-Bissau)


A vermelho, a zona do Cacheu
Foi hoje feita, com recurso aos modernos meios informáticos, a assinatura do protocolo de geminação entre Cacheu (República da Guiné-Bissau) e Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha). Com este ato integrado nas Festas de Nhu Santu Nomi di Jesus – há muito desejado pelo antigo Presidente da República, comandante Pedro Pires, e de que foram intermediários a Fundação Mário Soares e a Associação de Desenvolvimento de Bissau – alarga-se o leque de geminações havidas por Cidade Velha: com Guimarães, Lagos, Golegã, Odivelas, Trancoso (Portugal), Ribeira Grande de S. Miguel (Açores), Gorée (Senegal), Lobata (S. Tomé e Príncipe), Praia e S. Filipe do Fogo (Cabo Verde). São portanto onze as geminações já efetuadas com o Berço da Nação cabo-verdiana, o que diz bem da projecção que a “cidade do mais antigo nome” vem granjeando.

Os Presidentes dos dois Municípios (Fernando dos Reis Piris e Manuel Monteiro de Pina) irão encontrar-se oportunamente em data a divulgar, confirmando então a geminação agora feita.
A castanho claro, o município de Cacheu


[0499] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Feira de produtos agrícolas

No âmbito das grandes e populares Festas de Nhu Santu Nomi di Jesus decorrerá no próximo dia 25, sábado, no Largo do Pelourinho (Cidade Velha), das 9h00 às 16h00, uma feira de produtos agrícolas reunindo uma vintena de expositores, todos do Município de Ribeira Grande de Santiago. Embora a pecuária local esteja em grande desenvolvimento, optou-se por não incluir nesta mostra animais, carne e produtos derivados de carne. Em contrapartida, haverá nela um expositor sobre questões ambientais e ecológicas e sobre floricultura.

Esta feira de produtos agrícolas, organizada pela Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, tem a excelente colaboração e parceria do Ministério de Desenvolvimento Rural.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

[0498] Um esclarecimento mais que necessário sobre uma autoria de Sérgio Frusoni - VER NOTÍCIAS SOBRE AS FESTAS DE NHU SANTU NOMI DI JESUS MAIS ABAIXO [ACTUALIZADO às 14h53, hora de Portugal]

O SEU A SEU DONO

Sérgio Frusoni
Não é por mal, a gente sabe. Mas que parece mal, não há dúvida alguma. Roubarem a propriedade intelectual a quem produz cultura é tão ou mais doloroso que o roubo de uma propriedade fixa ou móvel, salvaguardadas as devidas distâncias e os pesos de cada uma delas. Abastardarem escrito nosso, ainda pior, dado que quem lê uma poesia, romance ou texto de jornal, fica sem saber se a gralha ou a mistura de linhas se deve ao autor ou não. 

No caso vertente, nem sequer se trata de velhacaria, mas sim de asneira recorrente - que ambos os autores, já falecidos, dispensavam. B. Leza e Sérgio Frusoni são suficientemente grandes para não andarem misturados quando não é caso disso. Foram duas estrelas luminosas e ainda são, nos caminhos da música e da poesia cabo-verdiana, figuras das mais altas na grande constelação que o Mindelo produziu ao longo dos tempos. Aqui fica o esclarecimento do filho e nosso amigo, Fernando Frusoni.

Tenho ouvido vários  cantores interpretar a morna do meu pai, Sérgio Frusoni, “Tempe de Caniquinha “, mas não tive ainda o prazer de ouvir uma interpretação que tivesse utilizado na integra a versão original. O mais grave é que por vezes tenho ouvido utilizar palavras que não têm sentido e que não respeitam a rima seguida pelo meu pai. Ter lido no You Tube que esta morna foi composta por B. Leza e Sérgio Frusoni, deixou-me estupefacto. 

Devo esclarecer o seguinte: a morna foi escrita e musicada pelo meu pai e foi pela primeira vez interpretada pelo meu irmão  Franco Frusoni no Conjunto Cénico  Castilhano.

Uma parte da letra original encontra-se no livro de Valdemar Pereira “O Teatro é uma Paixão, a Vida  é uma Emoção “, página 178. Completei a letra que tenho de memória de tanto a ouvir cantar em casa.

Eis a letra original, para  quem a quiser conhecer:

TEMPE DE CANIQUINHA

Sanvecente um tempe era sabe
Sanvecente um tempe era ôte côsa
Cónde sês modjêr ta usába
Um lenço e um xales cor de rósa
Um blusa e um conta de coral

Cónde na sês bói nacional
Tá mornód tê manchê
Cónde sem confiança nem abuse
Tá servid quel cafê
Ma quel ratchinha de cúscús.
Cónde pa nôs Senhóra da Luz
Tinha um grande procisson
Cónde ta colóde Santa Cruz
Ta colóde pa San Jon
Lá na rebêra de Julion

Cónde ta cutchide na pilon
Tá cantá na porfia
Cónde ta tchuveba e na porte
Ta vivide que mas sôrte
E que mais aligria.

Povo ca ta andá moda agora
Na mei de miséria tcheu de fome
Ta embarcá ta bá  ‘mbóra
Sem um papel, sem um nome,
Moda um lingada de carvon.

Era colheita na tchôn
Era vapôr na bahia,
Oh Sanvecente daquês dia
Atê góte de Manê Jon
Tá ingordá na gemáda.

Lá pa quês rua de moráda
Era um data de strangêr
Era um vida folgáda
Ciçarône vida airáda
Ta nadába na dnhêr.

De nôte sentód na pracinha
M’ ta partí gônhe assim…
Pa mim pa bô, pa mim,
Pa mim pa bô, pa mim
Era tempe de caniquinha…

Génova, 11 de Janeiro de 2014
Fernando Frusoni


FESTAS DE NHU SANTU NOMI DI JESUS 2014


Feira de Artesanato

Com o objectivo de rentabilizar os recursos existentes, promover o auto-emprego, desafiar e diversificar a oferta (e com ela dinamizar a economia local), deste modo transformando as naturais fraquezas em oportunidades e valorizando o património, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago promove e organiza nos dias 23 (quinta-feira) e 24 de Janeiro (sexta-feira), das 10 às 18h00, no Largo do Pelourinho em Cidade Velha uma importante Feira de Artesanato. Esta mostra de artesãos, com os seus diversos produtos, é realizada em gostosa parceria com o Ministério da Cultura, a Direcção Geral de Turismo, a Curadoria de Cidade Velha e a empresa Mantenha, tendo o apoio de empreendedores locais.

Workshop de Economia da Cultura

Em muito positiva parceria com o Ministério da Cultura, a Direcção Geral do Turismo, a Curadoria de Cidade Velha e a empresa Mantenha, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago organiza no dia 23 (quinta-feira) e 24 de Janeiro (sexta-feira) no Largo do Pelourinho de Cidade Velha, às 15 horas, um workshop de Economia Local subordinado ao tema “Do Património ao Bolso”.

Pretende-se com esta iniciativa, que tem o apoio de empreendedores locais, rentabilizar os recursos existentes no Município, disponibilizar informações e promover o auto-emprego, com isso dinamizando a economia local e valorizando o património.

No workshop participam um representante do Banco da Cultura, José Lé de Matos, Jorge Matos e Luísa Janeirinho.

Conferência de imprensa


Visando a apresentação do Festival de Nhu Santu Nomi de Jesus, que se realiza em Achada Forte de Cidade Velha nos próximos dias 25 e 26, a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago (que este ano colabora com um produtor na organização deste evento), realiza amanhã, quinta-feira, dia 23, às 11 horas, nas salas do Hotel Praia-Mar, na cidade da Praia, uma conferência de Imprensa na qual estarão presentes os artistas Gil Semedo, Edu, Djodje e Zé Espanhol, que atuam neste certame.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

[0497] Nhu Santu Nomi di Jesus 2014 - Jogos Intermunicipais de Futsal

Realiza-se amanhã, quarta-feira, dia 22, às 16 horas, na placa desportiva de Salineiro, a quarta jornada do Torneio Intermunicipal de Futsal com os jogos Cidade Velha-Santana e Calabaceira-João Varela. Como já foi anunciado a final da competição será no dia 30, data em que essa infraestrutura se inaugura.

Na anterior jornada Bota Rama venceu Calabaceira por 3-2 e Porto Mosquito empatou por 1-1 com Cidade Velha. Este torneio decorre em três fases – na primeira fase em regime de todos os seleccionados contra todos, seguindo-se as meias-finais que determinará quais as equipas que estarão na final.

Os jogos, que têm decorrido com normalidade e boa organização, têm tido boas assistências, indicando que as competições desportivas estão a tomar expressão em Ribeira Grande de Santiago.

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